Relembrar Couto dos Santos
Em boa hora a Câmara Municipal de Esposende decidiu agendar uma justa homenagem a António Couto dos Santos, uma figura de referência da nossa vida política e cívica e também com um percurso muito rico na área empresarial. Tive – como muitos colegas e amigos – a oportunidade de o conhecer em meados dos anos 80, quando, nas nossas universidades, fazíamos da vida associativa uma âncora de partilha das melhores ideias e de dinamização de uma agenda de participação e mobilização juvenil que ele apoiou de forma entusiástica como governante. António Couto dos Santos foi o grande obreiro de uma política de juventude no nosso país e era um gosto, nos tempos mais recentes, poder em conjunto recordar com ele esses saudosos tempos em que o nosso país consolidava o seu processo de crescimento e integração europeia.
Tive mais tarde oportunidade de trabalhar com António Couto dos Santos na AEP – Associação Empresarial de Portugal. Uma experiência única, que muito me ajudou na minha evolução pessoal e profissional. António Couto dos Santos foi sobretudo um exemplo. E os exemplos mais do que nunca importam em Portugal neste tempo de reflexão sobre o futuro.
António Couto dos Santos soube como ninguém dar o seu melhor pelo projeto de um país mais moderno, coeso e justo e a sua visão estratégica esteve sempre presente nos muitos projetos que coordenou e acompanhou em termos empresariais. António Couto dos Santos era uma pessoa com uma inteligência rara, uma visão única do futuro, que dedicou toda uma vida política, cívica e empresarial a interpretar a realidade dum país para o qual também queria uma agenda de ambição global.
António Couto dos Santos acreditava que, na vida e nos negócios, importa assumir uma cultura de risco inteligente. A falta de ambição e de um sentido de futuro, sem respeito pelos fatores tempo e qualidade não era para ele tolerável nos novos tempos globais.
Segundo as suas palavras – partilhadas nos múltiplos encontros entre associativos da mesma geração - precisamos de novas ideias, de novas soluções, de projetar na sociedade o exercício da responsabilidade individual de forma aberta e participada. António Couto dos Santos era um homem para quem a vontade de fazer coisas novas e diferentes o motivava a participar sempre em novas iniciativas, sabendo melhor do que ninguém interpretar o sentido do tempo e a importância de se ser diferente num mundo onde tudo é cada vez mais igual.
A memória de António Couto dos Santos continua bem viva em todos aqueles que acreditam num projeto de futuro para a nossa sociedade e a nossa economia. O seu forte sentido estratégico e grande capacidade de gestão operacional estiveram sempre presentes nos muitos projetos em que esteve. E a sua indomável vontade em mobilizar gerações para a batalha da modernidade e do futuro continuará a ser uma referência presente nos desafios que se colocam à nossa sociedade.
Por isso, esta justa homenagem que a sua terra, Esposende, lhe fará é um exemplo de como devemos saber preservar a memória dos que fazem parte da nossa identidade e do nosso percurso.
