Sucessos e sombras do Mundial de Futebol

Nuno Botelho

Presidente da Associação Comercial do Porto

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O Campeonato do Mundo de Futebol, que terminou a meio deste mês, já se anunciava como o maior de sempre: tinha mais equipas, mais estádios e, pela primeira vez, decorria em três países diferentes. À boa maneira americana, foi tudo pensado “em grande” e com alguma dose de exagero à mistura.

Talvez o que poucos estivessem à espera é que a competição fosse, também, um enorme sucesso comercial e desportivo. Afinal, a relação dos EUA com o soccer permanecia morna, mesmo depois de terem acolhido a prova há 34 anos; a gestão dos bilhetes feita pela FIFA teve erros técnicos significativos e os preços que se anunciavam eram exorbitantes; e, sobretudo, havia a expectativa de que o alargamento a 48 equipas fosse excessivo e baixasse a qualidade do espetáculo.

Nenhum desses fatores, no entanto, comprometeu a performance do evento. Em termos de afluência aos estádios, a prova teve a maior média de sempre numa competição de futebol (99,7%). As receitas de 11 mil milhões de dólares, previstas inicialmente pela organização, terão chegado a 15 mil milhões, com particular destaque para a publicidade e os direitos de transmissão. A projeção e o alcance digital do evento atingiram valores impensáveis, com 5,2 mil milhões de interações nas plataformas FIFA, só até aos oitavos de final. E até a audiência televisiva na América bateu recordes na final, com quase 63 milhões de espetadores.

Mesmo a nível desportivo, o Mundial entregou resultados surpreendentes, com uma excelente média de 2,96 golos por jogo – a melhor dos últimos 50 anos – e uma qualidade de jogo assinalável. Apesar do predomínio das equipas europeias, houve poucos resultados desequilibrados e surgiram novas seleções protagonistas, como o Egito, a Noruega e até os irmãos de Cabo Verde, reforçando o peso global do beautiful game.

Enquanto fenómeno económico e social, pode concluir-se que o Mundial das Américas superou as expectativas. Ficaram, no entanto, algumas sombras sobre a liderança de Infantino que serão difíceis de dissipar: à cabeça, a excessiva interferência política no futebol e uma aparente insaciedade do presidente da FIFA, que agora já pensa em alargar a competição a 1/3 das nações existentes.

Portugal, como país coorganizador do Mundial 2030; a Espanha, como Campeã do Mundo em título; e a Europa, como pátria e referência incontornável da modalidade, têm de impor os seus limites.

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