Um país a ser bloqueado

Publicado a

Pelo que vemos, ouvimos e lemos, Portugal está um país bloqueado. Burocratas e ativistas, extremistas, associações ad hoc criadas de raíz para agitação e declarações a telejornais tudo contestam, tudo enredam e tudo querem impedir. Meros disfarces das forças partidárias que os comandam, não representam a sociedade civil e constituem-se oposição ao poder democrático eleito e a interesses legítimos privados.

Juntam-se-lhes personalidades eméritas e intelectuais de largo espectro cultores dos amanhãs que cantam, que veem em qualquer ação dos governos ou iniciativa económica um atentado à cultura e à liberdade. Atrasam e boicotam projetos, fazendo prevalecer interesses corporativos sobre o interesse geral.

Vetam liminarmente explorações mineiras, projetos industriais e novas culturas agrícolas, invocando desequilíbrios aos ecossistemas. Tornaram o ambiente uma religião, com os seus dogmas e os seus pregadores. Substituíram a salvação da alma pela salvação do planeta. Os telejornais divulgam o novo catecismo.

Persistem na insensatez de conduzir Portugal, que representa 0,12% das emissões mundiais, 0,27% do PIB e 0,13% da população mundial, a liderar a transição energética, um pesado ónus às famílias e empresas.

Recusam reformas na justiça, por governamentalizar o sistema. Esquecem a eternização das investigações, a demora dos julgamentos, o entrave aos direitos pessoais e à economia.

Exigem habitação, mas torpedeiam qualquer libertação de solos não produtivos, por óbvia especulação.

E os governos bloqueiam-se a si próprio, criando normas de defesa, mais entropias à ação.

Qualquer investimento é enleado por uma avalanche de estudos técnicos, sociológicos, ambientais, e cercado num labirinto de pareceres e interpretações que travam a decisão. Nenhuma hierarquia contraria a tecnocracia instalada, que os guardiões do vício e da virtude logo aí viam indícios de corrupção. Os serviços tornaram-se os decisores e as hierarquias mero objeto de adorno.

Caricatura? Mas não é a caricatura que evidencia os traços mais salientes de qualquer representação?

Cabe às autoridades legitimadas pelo voto o dever de rejeitar esta ofensiva do marxismo cultural contra a democracia e a economia, sob pena de violarem o mandato recebido, entregando o poder de facto a minorias não eleitas nem representativas.

Diário de Notícias
www.dn.pt