Um país de linhas vermelhas
O crescimento da economia portuguesa tem sido tão medíocre que o PIB per capita em termos de paridade de poder de compra, e salvaguardando o aumento populacional, é igual ao de 2004, altura do alargamento, e apenas um ponto percentual acima do valor de 1995, no fim dos Governos de Cavaco Silva. Nada de espantar.
Como se não bastasse, a acrescer ao pântano de Guterres, à bancarrota de Sócrates e ao período de resgate da troika, Portugal foi-se tornando um país de linhas vermelhas, com limites para tudo. Na economia, na política, como na sociedade, estão interditadas iniciativas reformistas e transformadoras.
Linha vermelha são políticas que tragam acréscimos de produtividade e competitividade, regeneradoras da economia e incentivadoras do investimento, do crescimento, de emprego, de melhores salários, pois tal é óbvio atentado aos direitos dos trabalhadores.
Linha vermelha é a utilização da capacidade instalada na Saúde e na Educação, facultando um saudável entendimento entre prestadores privados e públicos, melhorando o serviço e diminuindo custos, pois isso é entregar dinheiro do Estado aos privados.
Linha vermelha é o desenvolvimento de novas culturas ou explorações mineiras, um atentado a dogmas, por natureza, não comprováveis, de equilíbrio dos ecossistemas.
Linha vermelha é tocar na Justiça, seria a sua governamentalização.
Linha vermelha é qualquer reforma da Segurança Social que assegure no futuro o cumprimento da sua missão, logo apelidada de privatização do sistema.
Linha vermelha é mexer na Constituição, matéria proibida para qualquer maioria que não inclua o PS. Direitos adquiridos.
Linha vermelha é coligação do grande centro democrático, logo proscrita por formar um bloco duro de interesses e fomentar a corrupção.
Linha vermelha é reformar um Estado que nada em burocracia, absorve 45% da riqueza anual produzida, e é sustentado por contribuintes, cidadãos e empresas, que para ele exclusivamente trabalham de janeiro a meados de junho de cada ano.
Mais que linhas vermelhas, um mero eufemismo, o que existe são muros bem vermelhos. Sem os destruir, como o de Berlim, não haverá crescimento, a estagnação será permanente, continuaremos um país cada vez mais tolhido por novos dogmas wokistas e gastas ideologias.
É tempo de inverter tão insalubre ambiente.
