Vitória democrata impulsiona bolsas mas assusta setor dos chips

Henrique Valente

Analista da ActivTrades Europe

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A primeira semana de novembro ficou marcada pelas eleições intercalares nos EUA, pela queda acentuada do petróleo e pela pressão sobre as ações ligadas aos semicondutores e à inteligência artificial. Os democratas conquistaram as duas câmaras do Congresso e as bolsas subiram com o alívio da incerteza eleitoral.

Na sessão de quarta-feira, o Dow Jones avançou 3%, o DAX ganhou 2,22% e o Nasdaq 100 subiu 0,9%. O movimento mais expressivo deu-se no petróleo. O Brent caiu quase 9% numa sessão, para perto dos 95 dólares por barril, e chegou a acumular uma perda de cerca de 17% na semana.

Os investidores passaram a atribuir maior probabilidade a uma saída negociada para a guerra com o Irão, embora Teerão diga que as partes continuam longe de um acordo. Se a descida se mantiver, o alívio nos custos de energia e transporte poderá beneficiar a indústria europeia e reduzir a pressão sobre a inflação.

Em Frankfurt, a procura por ações da banca e das energias limpas ajudou o DAX a aproximar-se do seu máximo histórico, que terá renovado esta quinta-feira. A vitória democrata também trouxe alguma esperança, ainda limitada, de uma relação comercial mais previsível entre os EUA e a União Europeia, o que seria favorável às exportadoras alemãs.

Nos EUA, o resultado eleitoral teve um efeito diferente nos semicondutores. Os ganhos democratas em estados-chave para os centros de dados, como o Texas e a Geórgia, onde cresce a oposição pública à expansão do setor, aumentaram os receios de atrasos nos projetos e nas encomendas de chips. Para o resto de novembro, a evolução do Brent e os sinais de progresso nas negociações com o Irão serão importantes para perceber se o alívio nos preços da energia se mantém.