Os desafios do regresso às aulas 

O início de um novo ano letivo é visto pelos alunos com um misto de entusiasmo e ansiedade. A psicóloga Joana Rato põe em perspetiva os principais temas associados ao regresso à escola.
Publicado a

Conhecimento e organização são as duas palavras-chave a ter em conta no início de um novo ano letivo. Compreender de antemão a nova realidade e a mudança de rotinas permite minorar os níveis de ansiedade e, quando a escola já é algo conhecido, um bom planeamento desenhado nos primeiros dias de aulas vai aumentar o sentimento de segurança nos meses seguintes. É o que defende a psicóloga Joana Rato, que no regresso do Educar tem Ciência, projeto da Iniciativa Educação, em parceria com a TSF e o Dinheiro Vivo, abordou várias das questões que marcam o regresso à escola.

"Diante de novos cenários é natural que haja um aumento da necessidade de uma resposta adaptativa. Nos primeiros anos, o essencial é conhecer o que é a novidade - a escola, os auxiliares, os professores - para depois perceber e compreender a nova realidade e a rotina", alerta a psicóloga. O ideal é que os pais conversem sobre o que pode ser encontrado nesta nova realidade, transmitindo confiança sem contudo subestimar os receios naturais da criança. "Essa conversa ajuda a antever o que poderá encontrar e [a criança] poderá ir reconhecendo as ideias que lhe foram apresentadas, o que a ajuda a ganhar segurança e a perceber o que está a acontecer à sua volta", diz Joana Rato.

O primeiro dia de aulas é um marco na vida dos alunos de primeiro ciclo e, atentas a esta realidade, algumas escolas têm-se esforçado para que os novos alunos se sintam bem recebidos, recorrendo até à "mentoria" dos alunos mais velhos. "Pôr os alunos do quarto ano a conhecer os do primeiro, quase a apadrinhá-los, é algo que pode ter sucesso, mas tem de ser bem feito: tem de ser uma atividade lúdica, de conhecimento, para que depois os miúdos não se percam", diz a psicóloga.

Joana Rato é taxativa: "Um ano letivo com sucesso exige metodologia". Assim, tanto para crianças mais velhas como para jovens e adolescentes é essencial que o início do ano letivo esteja focado na organização e planeamento. "Começar logo com este plano de rotina, embora possa custar no início, vai ajudar a controlar melhor o estudo e a sentir-se mais seguro", garante. Partindo dos horários a cumprir, trabalhos e testes a realizar, é possível orientar os momentos de estudo. "Estes momentos não precisam de ser extensos e quanto mais regulares e divididos forem ao longo da semana tudo se torna mais fácil. É quase pensar num episódio de estudo em vez de um episódio de uma série televisiva", exemplifica Joana Rato, para quem, no ensino secundário, as exigências giram em torno da rotina, regularidade e da manutenção de uma boa higiene do sono.

Para os alunos mais velhos, a psicóloga deixa duas sugestões de leitura. Ace that Test, elaborado por uma equipa de cientistas da aprendizagem, sublinha a importância de preparar o ambiente de estudo, a gestão do estudo, a importância das pausas e inclui um capítulo com sugestões práticas para aferir o conhecimento já adquirido. Já Study like a Champ, foca-se no planeamento, tem informação prática sobre como tirar bons apontamentos e ainda um teste que deita por terra o mito do multitasking: realizar diferentes tarefas em simultâneo não só não é eficaz como, a longo prazo, aumenta os níveis de fadiga. Ou seja, a ciência mostra que enviar SMS e estudar ao mesmo tempo não é uma boa prática.

Diário de Notícias
www.dn.pt