Portugal ocupa a quarta posição entre os países da União Europeia com a menor percentagem de empresas que vendem no canal B2B (business to business) e/ou no B2G (business to government) através de sites, aplicações e/ou marketplaces.
A conclusão é do "The B2B Future Shopper Report 2023", um estudo levado a cabo pela Wunderman Thompson, uma agência criativa, de consultoria e de tecnologia. E, além de estar no fundo da tabela, "nos últimos cinco anos, o país aumentou a diferença em relação à média europeia nessa área, passando de 1,7 pontos percentuais (pp), em 2018, para 5,6 pp, em 2022", detalha ao Dinheiro Vivo, Gonçalo Rodrigues, diretor de consultoria daquela agência.
Na verdade, as empresas nacionais "marcam passo face aos restantes países europeus, uma realidade a que nem as grandes empresas escapam", sublinha o responsável, remetendo para o estudo que refere que esta situação é observada em empresas portuguesas de todas as dimensões.
E, embora haja uma correlação positiva entre o tamanho da empresa e a representatividade das vendas em canais digitais, as grandes empresas lusas apresentam um gap ainda maior em relação às suas congéneres europeias do que as pequenas e médias empresas, detalha o gestor.
A nível global, o estudo avança que, no espaço de cinco anos, cerca de 60% das compras de produtos entre empresas (B2B) vão ser feitas via internet. Atualmente, este tipo de aquisições anda pelos 49%. Foram os setores automóvel, têxtil, vestuário e calçado, produtos farmacêuticos e equipamentos médicos, alimentação e bebidas e beleza e cuidados de saúde os identificados como os áreas chave, que apresentam um alto dinamismo no comércio B2B.
O setor público também se destaca devido à necessidade de transparência e compliance dos contratos públicos, onde os meios digitais desempenham um papel central e aqui Portugal não foge a esta realidade. O estudo da Wunderman Thompson revelou também que, globalmente, os compradores em B2B não são tão leais quanto se poderia prever.
Cerca de dois terços dos compradores afirmaram que a inflação os tornou mais dispostos a mudar de fornecedores, enquanto aproximadamente metade disse que o impacto da pandemia, especialmente com o aumento do trabalho remoto, os tornou menos fiéis aos fornecedores com os quais tinham relacionamentos presenciais.
Fatores económicos, como melhores termos contratuais, preços e descontos, foram identificados como as principais razões para a mudança de fornecedores, juntamente com a variedade de produtos disponibilizados e fatores operacionais, como o tempo de entrega e a facilidade de devolução.
Por forma a reverter esta tendência, o estudo aponta para a necessidade de se ser competitivo, mas ressalva que o preço não deve ser a única resposta. Outros fatores relevantes para a decisão de compra B2B incluem a qualidade e variedade dos produtos, capacidade operacional (entrega, devolução e processo de compra), reputação do fornecedor, especialização reconhecida nos produtos ou serviços e capacidade de fornecer serviços de valor acrescentado.
Da mesma forma, a pesquisa revelou que cerca de 70% dos compradores B2B indicam que é mais provável comprar de empresas que inovem. Diz Gonçalo Rodrigues, como "quem não é visto, não é lembrado", soluções mais imediatas podem passar por garantir uma boa estratégia de geração tráfego através de conteúdos criativos e um website que reflita os principais fatores competitivos da marca, bem como dos seus produtos e serviços, apelando à compra ou ao contacto.