Vou dar três exemplos de produtos, sim. Portanto, um primeiro é desenvolvido pela Priberam, que assiste os médicos no processo das altas médicas. Quando um médico precisa de tomar uma decisão, se um doente deve ou não sair do hospital, será com base em relatórios clínicos que vão sendo gerados ao longo da estadia desse doente - que se chamam, em inglês, os Electronic Health Records. Isso é tudo texto que é muitas vezes escrito pelos médicos. Há alguns que são dados quantitativos, mas a maior parte são dados que se chamam não estruturados. É necessário inferir as patologias do doente a partir dos dados que foram registados. Portanto, isso é definido através de um sistema de classificação de doenças internacional, o ICD. E este produto transforma estes textos em etiquetas, em labels deste sistema de classificação de doenças. O médico no centro do ecrã vê toda a informação clínica sobre o doente e no lado direito vê a transformação dessa informação nestes labels deste standard internacional de doenças. Neste produto são fundamentais duas características da IA responsável - é assim que medimos se o produto usa IA responsável. O primeiro é a privacidade, para garantir que os dados pessoais destes doentes não entram para treinar os modelos - porque há um risco óbvio aí -, e o da explicabilidade, porque há uma determinada etiqueta de doença e o médico tem de confiar que essa etiqueta foi bem dada. Se clicar na etiqueta, ele percebe de onde é que essa etiqueta foi extraída, vai ao texto original. No fundo, são as referências que às vezes é fundamental termos quando estamos a usar o ChatGPT e ele gera uma coisa e nós ficamos, “será que isto é verdade ou não? Mostra-me lá onde foste buscar esta informação”. Um segundo produto, que podemos usar como exemplo, é da Sword Health, um dos unicórnios nacionais, que permite que um paciente recupere, por exemplo, de uma cirurgia ou de um AVC, fazendo fisioterapia em casa. Funciona através de um tablet que usa a câmara de vídeo para assistir o doente na sessão de fisioterapia. Este processo é assistido por um fisioterapeuta que está remotamente. A pessoa não precisa de se deslocar ao centro de saúde. Com isso poupa tempo na deslocação e torna possível fazer fisioterapia em qualquer parte do país, em qualquer parte do mundo. É um produto global. É fundamental aqui o pilar da equidade. Nós não podemos discriminar quando estamos a treinar o modelo com dados destes pacientes. Nós não podemos discriminar entre pessoas que tenham mais idade, menos idade. Portanto, no fundo, nós temos de tratar as pessoas com equidade. E depois um terceiro produto, que é um produto que se tornou muito conhecido na Web Summit e que recentemente esteve na Cimeira das Nações Unidas de AI For Good, desenvolvido pela Unbabel e que permite restaurar a capacidade de comunicação a uma pessoa que sofre de uma doença neurodegenerativa como a esclerose lateral amiotrófica. Mais uma vez, neste produto, a componente da privacidade é absolutamente fundamental. Nós estamos a trabalhar com dados muito íntimos das relações destes doentes com as suas famílias. É assim que a inteligência artificial consegue assistir na comunicação. E, portanto, temos de garantir que esses dados nunca saem do telemóvel da pessoa, por exemplo, são dados que nunca vão para fora - a pessoa tem quase como um cofre de dados pessoal que nunca passa para fora. Isto implica usar um modelo de linguagem local no telemóvel para dar esta segurança ao paciente. Esse é um dos pilares da IA responsável que nós temos que seguir.