Plataforma digital de moda do Kuwait criada por cérebros portugueses

Montra de produtos Tamanna nasceu em fevereiro. Centro tecnológico português passará de 12 para 30 pessoas neste ano.
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Portugal está a pôr os consumidores do Kuwait a comprar roupa, produtos de beleza e de lifestyle de várias marcas mundiais através da internet. A plataforma Tamanna foi criada pelo grupo Alshaya, uma das maiores empresas de retalho do Médio Oriente. Atualmente, tem 12 trabalhadores, mas a equipa portuguesa vai crescer para 30 elementos antes do final deste ano.

Desenvolvimento e gestão de produto, análise de dados e programação serão as três funções que vão ter vagas abertas ao longo dos próximos meses na equipa portuguesa, que funciona atualmente de forma remota.

A Tamanna nasceu em fevereiro e emprega mais de 70 pessoas. Além de Portugal, há escritórios no Dubai e no Kuwait. No Dubai - onde fica a sede - há 25 elementos, focados nas operações e no marketing; no Kuwait, estão mais de 30 funcionários.

"Não temos comparação com a Farfetch, nem a Amazon. Queremos ganhar mercado no Médio Oriente", destaca ao Dinheiro Vivo a responsável de pessoal da empresa, Natacha Martins.

A plataforma tem semelhanças com a alemã Zalando, que vende produtos de moda mais generalistas no mercado europeu. O principal objetivo da empresa passa por complementar a oferta que já existe nas lojas físicas do grupo Alshaya.

"O nosso objetivo é tornarmo-nos o destino número um de fashion no Médio Oriente, oferecendo um excecional foco no cliente através de uma experiência de compra num único canal", assinala Natacha Martins.

Fundado em 1890, este grupo emprega mais de 60 mil pessoas no Médio Oriente, norte de África e Rússia.

O desenvolvimento do site da plataforma a partir de Portugal começou por ser realizado pelos alemães da KI Group. A tecnológica alemã aproveitou as equipas em Portugal nas cidades de Lisboa e de Leiria para o desenvolvimento do software, do design, do produto e mesmo para a equipa de pessoal.

A plataforma foi construída à distância desde maio de 2020, entre Alemanha, Portugal, Kuwait e Dubai.

Apesar da distância física, foi criada uma cultura dentro da empresa para "promover encontros semanais e saber tudo o que está a acontecer nos outros países. Há uma ligação muito grande", destaca Natacha Martins.

Os próprios responsáveis dos grupos KI e da plataforma do Kuwait "só se conheceram presencialmente em fevereiro", com as condições sanitárias impostas pelo coronavírus.

A questão cultural também não tem sido um problema. "Não sentimos qualquer sobreposição, apesar de as diferenças serem grandes." O respeito é mútuo e ganha mais visibilidade em período do Ramadão.

"Temos trabalhadores na equipa do Médio Oriente que seguem esta celebração. Por causa disso, temos de adotar algumas diretrizes", como a redução de horário e a proibição de beber e comer durante as reuniões.

Os planos de expansão da Tamanna para os próximos anos passam exclusivamente pela região do Médio Oriente e a engenharia tecnológica portuguesa tem espaço para continuar a crescer neste projeto.