Pedro Soares dos Santos, presidente da Jerónimo Martins, empresa dona da Biedronka
Pedro Soares dos Santos, presidente da Jerónimo Martins, empresa dona da BiedronkaCarlos Pimentel/Global Imagens

Polónia: Jerónimo Martins vai recorrer de multa de 120 milhões

Regulador polaco anunciou que a Biedronka, pertencente ao grupo Jerónimo Martins, seria multada por violar regras de concorrência. Empresa vai recorrer e mostra-se “preocupada” pela ausência de notificação prévia.
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A Biedronka, marca da Jerónimo Martins para o mercado polaco, foi condenada pelo regulador da Polónia, o UOKiK, a uma multa de 120 milhões de euros (525 milhões de zlotys) pela alegada utilização de um esquema acordado entre empresas de transporte para que não houvesse contratação de motoristas entre elas, por forma a pressionar salários.

“Nesta fase, estamos profundamente preocupados com a forma como o UOKiK optou por comunicar amplamente uma decisão que afeta a nossa companhia sem que disso tenhamos sido previamente notificados”, disse fonte oficial da Jerónimo Martins ao DN/Dinheiro Vivo.

A mesma fonte da empresa adiantou que vão recorrer desta coima, uma vez que acredita que foram cumpridas todas as determinações legais a que a retalhista está sujeita: “Para além do que está legalmente estabelecido, as nossas políticas internas, e em particular o nosso Código de Conduta, são muito explícitas quanto à obrigação de respeitar o princípio da livre concorrência, proibindo qualquer comportamento, acordo ou participação em iniciativas que possam resultar na restrição da concorrência e na violação da Lei”.

“Assim, estamos firmemente convictos de que a companhia não se envolveu em qualquer prática ilegal, tal como as referidas pelo Presidente do UOKiK, pelo que iremos contestar esta decisão junto dos tribunais competentes”, diz ainda a mesma fonte oficial.

Por outro lado, a Comissão Europeia já terá analisado o caso e concluiu que a conduta violou as regras de concorrência da União Europeia, dando assim respaldo, a nível europeu, à decisão da autoridade polaca, informou o regulador.

A Jerónimo Martins enfrenta assim um novo desafio na Polónia, um mercado que lhe tem sido significativamente favorável ao longo dos últimos anos, mas que já no início desde 2026 tinha deixado antecipar tempos mais complexos: os investidores fugiram em massa do título, a antecipar tempos difíceis para o emblema polaco.

A Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce e Recheio, em Portugal, tem na Biedronka o maior peso para as vendas e o EBITDA do grupo (representa 70% e 80%, respetivamente), mas a marca polaca tem garantido competitividade via preço, para aconseguir defender quota e volume, o que a coloca numa posição mais frágil face às congéneres europeias.

Entre março e junho a Jerónimo Martins perdeu quase 4 mil milhões em bolsa à boleia deste sentimento que tem pesado nas decisões dos investidores, e que com este anúncio de coima pelo regulador, poderá voltar a colocar os títulos na mira dos analistas.

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