Nos últimos quatro meses de 2021, Portugal registou cerca de 100 mil ameaças de cibersegurança, o que traduz um aumento de 17,5% em relação ao quadrimestre anterior. Com os ataques a empresas de média e telecomunicações na ordem do dia, os dados do novo relatório Threat Report da empresa de cibersegurança ESET, que foi publicado hoje, mostram uma intensificação das ameaças em Portugal.
O tipo de ataque mais detetado entre setembro e dezembro foi a exploração de uma vulnerabilidade do Microsoft Equation Editor (incluído no MS Office), o exploit "Win/Exploit.CVE-2017-11882 trojan", que representou 11% das ameaças detetadas. A ESET também destaca a utilização do programa malicioso "HTML/Phishing.Agent trojan", que envolve uma tentativa de ataque de phishing, redirecionando o utilizador para uma página fraudulenta e que representou 8% de todas as ameaças.
Notável neste relatório é o aumento de 967% das tentativas de ataque do tipo Remote Desktop Protocol (RDP) nos últimos quatro meses do ano. Este ataque permite a um computador conectar-se a outro ou uma rede sem contacto direto.
Houve também um crescimento de 19,4% nas tentativas de ataque com recurso a downloaders maliciosos entre o segundo e o terceiro quadrimestres do ano.
Olhando para o global do ano, a empresa concluiu que o ransomware "superou as piores expectativas em 2021", em todo o mundo, com vários ataques a infraestruturas críticas e grandes empresas (incluindo em Portugal), pedidos de resgate avultados e mais de 5 mil milhões de dólares de transações de bitcoin ligados a potenciais pagamentos de resgate identificados só na primeira metade de 2021. Quando a taxa de câmbio da bitcoin atingiu o pico em novembro, a ESET diz que foi registado um aumento das ameaças ligadas à criptomoeda, impulsionado ainda mais pela recente popularidade dos NFT.
Numa nota sobre as comunicações móveis, a especialista relata "um crescimento alarmante" nas deteções de malware em serviços bancários por Android, que aumentaram 428% em 2021 em comparação com 2020.
As ameaças por email, que constituem a porta de entrada para inúmeros tipos de ataques, "mais do que duplicaram", nota a empresa, referindo que a tendência foi impulsionada pelo aumento de emails de phishing, que mais do que compensou o declínio das macros maliciosas de assinatura do trojan Emotet nos anexos de emails.
Este trojan, que esteve inativo durante a maior parte do ano, "ressuscitou" no terceiro quadrimestre de 2021, incluindo em Portugal, disse a ESET, levando ao registo de "centenas de deteções" em território nacional.