Portugal vai a Paris mostrar (ainda mais) vinhos nacionais

A ViniPortugal garantiu que o país vai ser o segundo maior expositor internacional, atrás de Itália, no certame de Paris. No ano passado, a exportação de vinhos portugueses superou os €900 milhões
Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal. Foto: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens
Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal. Foto: Reinaldo Rodrigues/Global ImagensFrederico Falcão, presidente da ViniPortugal. Foto: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens
Publicado a: 

Na próxima semana, entre 10 e 12 de fevereiro, Portugal vai ser o maior expositor do Hall número 4 na Wine Paris, e a maior presença internacional depois de Itália. O certame, considerado um dos mais importantes do mundo dos vinhos e bebidas espirituosas, verá mais de 3000 referências nacionais em exposição. Estima-se que cerca de 50 mil visitantes comerciais de 138 países passem pelo evento, que tem lugar no Paris Expo – Porte de Versailles.

Segundo o site oficial do evento, há já mais de 10 mil reuniões agendadas entre produtores e comerciais. Segundo informação oficial da ViniPortugal, a presença dos vinhos portugueses regista, em 2025, um aumento de 67% face ao ano anterior. Uma presença que se justifica porque “a Wine Paris tem vindo a crescer de forma muito substantiva e ameaça tornar-se, já em 2025, o maior certame de vinhos a nível mundial”, diz Frederico Falcão ao DN/Dinheiro Vivo. “Lembrando que não é uma feira apenas para compradores de França, mas sim para visitantes oriundos dos quatro continentes, é uma feira onde os Vinhos de Portugal têm de estar e com uma representação muito significativa”, acredita o responsável.

“Nesta edição da Wine Paris, Portugal será a segunda maior delegação internacional, logo após Itália, reforçando a sua presença com um aumento de 67% no número de referências vínicas. Na edição de 2025, Portugal marcará presença no Hall 4, ocupando uma área total de 1600m, que contará com a participação de mais de 200 produtores portugueses”, continua.

Questionado sobre por que razão a escolha dos produtores recaiu sobre os que vão marcar presença, Falcão é perentório: “Respondendo diretamente à pergunta, a grande maioria dos produtores nacionais de vinho trabalham com a ViniPortugal e escolhem as ações que mais lhes interessam para promover as suas marcas. Atendendo à importância deste evento, a ViniPortugal recebeu muitas intenções de participação e conseguiu acolher praticamente todas as empresas que pretendiam participar. Teremos produtores de todas as regiões de Portugal”, garante.

Recorde-se que os vinhos portugueses têm estado a crescer em exportações ao longo dos últimos anos, muito graças à presença cada vez mais constante em eventos desta envergadura.

No ano passado, entre janeiro e novembro – os dados mais recentes publicados pelo Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) – as exportações de vinhos portugueses já tinham atingido os 899 milhões de euros, a um preço médio de 2,73 euros por litro. Um aumento de 10,1% em volume e 4,3% em valor, em termos homólogos, apesar de uma queda de 5,2% no preço médio.

O investimento da ViniPortugal para participação em eventos como a Paris Wine, em 2025, supera os 1,3 milhões de euros. Esta é uma aposta clara da organização que Frederico Falcão lidera mas que é, no entanto, criticada por alguns produtores, que acusam a instituição de tentar estar presente em todos os mercados, ao invés de apostar com mais ambição naqueles que têm sido estratégicos para o país.

Falcão admite as críticas, mas recorda que apesar de a ViniPortugal ter investido, de forma sistemática em 22 mercados, “o novo Plano Estratégico 2030, aprovado pelo setor, reduziu o número de mercados para 15. Além desses 15 mercados, a ViniPortugal participa nestas duas feiras internacionais – a Wine Paris e a ProWein Düsseldorf – onde tem havido uma procura crescente, por parte dos nossos produtores, em estarem presentes. Creio que o crescimento da procura nestas feiras mostra bem a importância que estes certames têm para o setor”.

E, naturalmente, espera que a presença se continue a traduzir num aumento de negócios e de exportação dos vinhos produzidos em Portugal.

Numa altura em que muitos dados apontam para um decréscimo do consumo de vinho um pouco por todo o mundo, Falcão defende que “a forma de comunicarmos o vinho tem de ser alterada, por forma a cativar as novas gerações, que consomem outras bebidas alcoólicas, com mensagem menos complexas. Não será essa a única chave do sucesso, mas é importante que o nosso setor se adapte e se inove para atrair a as novas gerações”.

Na mesma ocasião o responsável salientou que “muita da quebra mundial de consumo se deve à China, EUA e Canadá, embora muitos outros países estejam em crescimento. É importante conhecer os fenómenos que explicam a quebra nestes países e encontrar soluções”.

Já Rodolphe Lameyse, CEO da Vinexposium, organizadora do certame, realça o papel agregador da Wine Paris no atual momento político e social que o mundo atravessa: “Em tempos de grande incerteza, crise económica e perda de significado, o isolamento de um país não é uma opção! Ao combinar pontos fortes e promover a inovação, a ligação entre todas as partes interessadas do setor, e os vínculos entre as áreas económica e política, podemos promover soluções, considera.

Diário de Notícias
www.dn.pt