Pouco interessa como começa

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"Pouco interessa como começa, mas como acaba": conversa de treinador de futebol tem, não obstante, nas previsões para 2024 uma possível aplicação.

Na realidade, tudo conta. O futuro imediato anuncia-se negro: na Ucrânia, a guerra está para durar, não sendo inteligível um caminho que desbloqueie a situação; em Gaza, o massacre da população civil, radicaliza os sobreviventes, servindo os desígnios pérfidos do Hamas; a inflação parece estar a ser domada, mas com custos sociais que atiram os estratos atingidos para os braços da extrema-direita, muito mais capaz (e bem financiada) que os seus simétricos de esquerda na instrumentalização de tais situações. Quando se lhe pediria agilidade, a Europa enreda-se em processos de decisão cuja ineficácia é cada vez mais patente, enfraquecendo-a, por dentro e para fora.

Em Portugal, não se augura que das eleições surja uma alternativa de governo forte, sendo o único vencedor anunciado um partido que não apresenta uma única ideia relevante para o país, mas que cavalga, como nenhum outro, a deriva populistacentrada na ideia da disseminação da corrupção, uma narrativa facilitada por uma governação incompetente e uma aliança tácita entre o justicialismoe uma comunicação social, em crise, incapaz de fugir à agenda das redes sociais.

A Norte, os tempos serão difíceis em algumas das indústrias mais representativas. Poderia ser uma oportunidade para depurar, e fortalecer, o tecido produtivo, requerendo, porém,uma política que não parece ao alcance de um governo de gestão, originando um impasse que se agrava se oprocesso de formação de novo governo se arrastar. Um poder regional poderia suprir tal vazio, mas tal é esperança vã. O Jornal de Notícias anuncia-se uma vítima adicional, num processo de consolidação da comunicação social opaco que desafia não apenas os reguladores, como, no caso do JN, a própria sociedade civil nortenha.

Voltando ao início: por mau que tudo isto seja, serão minudências se, lá para o fim do ano, Trump ganhar as eleições americanas.

Tempos difíceis, perigosos. Como alimentar a esperança?

Alberto Castro, economista e professor universitário

Diário de Notícias
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