

Num investimento, o que custa mais é fazê-lo pela primeira vez. Há receio de que não se compreenda o léxico, há receio de usar as plataformas, há receio de perda de dinheiro, e há, sobretudo, a ansiedade natural de quem está perante algo que envolve dinheiro e cujo resultado não controla. Vamos por isso, descomplicar.
Antes de mais, o investimento não é algo em que se entre de cabeça e a primeira tarefa é perceber o que pode investir. Ou seja, poupança não é o mesmo que investimento e, antes de investir, tem de tomar duas decisões. A primeira é ter um fundo de reserva ou emergência para despesas inesperadas, e que pode ser algo como entre três e seis meses do orçamento mensal (já debatemos o assunto do orçamento familiar em edição anterior). Este fundo de emergência não precisa de ser somente liquidez guardada em casa, mas pode ser um depósito a prazo convencional ou fundos de tesouraria, ativos que se desmobilizam rapidamente. Em segundo lugar, e a par daquele montante de emergência, antes de investir deve liquidar os empréstimos que possa ter, caso de um crédito ao consumo para carro, mobília ou viagens, ou mesmo o crédito para compra de casa. Aqui, o relevante é pensar que o melhor investimento é começar por não ter dívidas – exceto se a dívida tiver uma taxa de juro fixa e esta for mais baixa do que o rendimento líquido sem risco que esteja a auferir num investimento. Esta é a única exceção em que se deve alocar recursos financeiros para investimento e não para a liquidação de uma dívida.
A diferença entre taxa de juro fixa e variável é, como o termo indica, entre um juro que se mantém idêntico ao longo de todo o período de empréstimo, no caso da taxa fixa, enquanto a taxa variável significa que o juro a pagar mensalmente, trimestralmente ou anualmente irá subir ou descer, de acordo com um indexante do Banco Central Europeu, e que os bancos comerciais de cada país refletem nas contas dos clientes.
Depois disto esclarecido, deve estabelecer um objetivo na alocação do dinheiro que possui: será que é um investimento de curto prazo (até três anos), de médio prazo (até 10 anos), ou um investimento para a reforma? O investimento não tem de ser grande, mas precisa de estar orientado e, repetimos, o relevante é não deixar o dinheiro parado.
Depois vem a seleção dos ativos onde investir. Há duas questões a ter em conta: um é se se esses ativos incorporam risco de perda parcial ou total do capital e outro é se constituem o melhor retorno no prazo que previamente tiver definido. Depois disto fica-se a conhecer o tipo de perfil – conservador, moderado ou arriscado – de alguém que quer investir.
Para chegar a algumas destas conclusões é imprescindível escolher um intermediário financeiro, que pode ser um banco ou um corretor e já iremos ver os mais populares. Mas isto significa que terá também de pedir o preçário e verificar todas as informações nos sites dos vários intermediários financeiros (IF) selecionados. Relevante: não acredite quando lhe disserem que estes serviços são feitos sem comissões e sem custos. É mentira. O preço dos serviços estará incorporado em alguma parte no processo de gestão da carteira. Geralmente isentam-se de custos as compras, mas depois aplicam-se taxas de serviços na distribuição dos dividendos ou nos câmbios de moedas.
Entretanto, no decurso desta escolha é preciso ir aprendendo alguns conceitos, porque não é aconselhável chegar a um IF e dizer: “tenho esta quantidade de dinheiro, invista onde quiser”. A decisão, ou parte da decisão, tem de ser sua, e quanto mais e melhor literacia financeira tiver, maior o envolvimento na decisão de escolha e compra de ativos.
Outro tema sobre o qual se deve debruçar é a geografia dos investimentos. Pode fazer investimento em Portugal, no resto da Europa, nos países ocidentais, nos países asiáticos, ou nos mercados emergentes. Também precisa de saber que, se está em Portugal, com euros, e vai pagar o investimento nesta moeda, se este for numa geografia fora do espaço da União Europeia, há custos e riscos no câmbio.
E aqui aproveitamos para falar o mercado Forex, ou mercado de câmbios. Por exemplo, o rendimento em reais brasileiros pode ser interessante, mas a conversão de rendimento ou de dividendos para euros pode gerar perdas, porque há oscilações no valor da moeda. E a partir daqui tem de perceber que o investimento, a par do risco, envolve volatilidade, um outro termo estruturante para quem está nos investimentos financeiros. Volatilidade revela os altos e baixos de um preço ou de uma cotação, os quais estão dependentes da evolução das taxas de juro, das condições da geopolítica, dos dados macroeconómicos de um país ou de uma região do globo, ou ainda do negócio da própria empresa em que se investe.
Mas voltemos aos Intermediários Financeiros: Depois da escolha feita e da abertura de conta (ou seja, o depósito de fundos líquidos) é tempo de experimentar uma plataforma para investimento que pode ser em ações, obrigações, ETF, fundos de investimento, seguros, commoditys como o ouro e prata, imobiliário, criptomoedas, ou no câmbio de moedas. A plataforma de negociação online oferecida pelo intermediário financeiro, vem – geralmente - acompanhada de uma conta demo, uma espécie de amostra. Tem de aproveitar para ganhar experiência, perceber o software que é geralmente intuitivo, pois as compras e vendas são fictícias. Ou seja, não há risco nem compromissos nesta etapa da vida do investidor inexperiente.
E chegamos à parte final desta introdução ao investimento com a escolha dos ativos e do investimento, em si. As recomendações é de que os primeiros passos se façam em produtos mais simples e com menor risco e o IF poderá ajudar. Também deve começar com quantias pequenas que vão crescendo, sem nunca afetar o tal fundo de emergênci. Lembre-se que investir deve ser um ato consciente e que não pode esperar o momento perfeito para aplicar dinheiro, porque esse momento não existe.
Entre os corretores populares temos a Degiro, a XTB, a GoBulling, a Lightyear ou a Trade Republic, entre outros. Sem esquecer que há cursos de investimento para níveis de iniciante, e até formação para traders, caso da Deco Proteste Investe, Academia Doutor Finanças ou Academia de Bolsa, entre muitas dezenas de outras possibilidades.
Se tem algum dinheiro disponível, quer investir de forma diversificada, ou seja, não irá colocar “todos os ovos no mesmo cesto” e não tem conhecimentos suficientes dos mercados financeiros, os fundos ETF (Exchange Traded Funds) são a solução. O processo passa por escolher a corretora que tenha este tipo de oferta e pesquisar e selecionar o ETF que pretende.
O ETF é um fundo de índice cotado. Com um ETF que replica índices e grandes blocos de ações, pode estar a investir nas melhores empresas do mercado americano, asiático ou europeu. Os mais recomendados, e possivelmente, os mais populares, são os ETF Vanguard FTSE All-World, que inclui milhares de empresas de mercados desenvolvidos e mercados emergentes, o iShares Core MSCI World, que está focado nas empresas dos EUA, Europa e Japão ou ainda o iShares Core S&P 500, que replica o índice das 500 maiores empresas americanas e que tem registado recordes a nível de rendibilidade e aproveitado o boom da economia dos EUA.
Sem podermos indicar o “melhor”, porque isso depende do perfil, e do “gosto” de cada investidor em termos de setor, indústria e região económica, pode-se recomendar que a opção sejam investimentos em ETF de fundos globais de acumulação, ou seja, ETF que reinvestem os dividendos, permitindo investimentos de longo prazo e com comissões mais baixas. É necessário ter em conta que os rendimentos provenientes de ETF são taxados em sede de IRS, normalmente a uma taxa liberatória de 28%. Mas, importante, a declaração no IRS é apenas feita no momento da venda. Pode ainda acontecer que o ETF seja substituído por outro ETF, caso ocorra uma fusão entre os mesmos instrumentos financeiros, sendo que o investidor recebe as unidades do novo ETF.
Nesta escolha de investimento, o risco é uma das peças chave. O risco de perda de capital, que pode ser total em determinados investimentos, tem de ser considerado. Mas, o que nos diz a história das aplicações financeiras é que quanto maior o nível de risco, maior o potencial de ganhos. Também nos diz que o risco não se pode sobrepor à necessidade de liquidez para suprir as despesas essenciais. E também nos diz que o risco é necessário para diversificar. Ou seja, pode ter ativos com potencial de ganho e que podem perder, e ativos com pouco potencial de ganho, mas com uma rendibilidade que evita a perda total. Nunca se deve investir com base na euforia do mercado, o chamado “hype”, porque geralmente dá asneira.
E, por último procure sempre informação fiável – ou seja, fuja das redes sociais ou de grupos sociais com interesses específicos na venda de determinados produtos.
Uma das soluções especializadas que propomos nesta coluna do investimento para todos é pensar no longo prazo e na capitalização dos rendimentos. Os seguros de capitalização, que poderão, ou não, ter um seguro de vida associado, é uma das opções. O investimento é de longo prazo, feito por profissionais e que respeitam o nível de risco que o investidor quer correr.
*Esta secção tem o patrocínio do Credibom. Os textos são produzidos pelo Dinheiro Vivo com total independência editorial. Conheça as regras do DN relativas à elaboração de reportagens sobre produtos financeiros.