Entre o número de votantes e os votos expressos nos dois candidatos
há uma diferença de 823 boletins que, independentemente da sua
orientação, não permitem qualquer alteração dos resultados e da vitória
de António Costa.
Das 23 assembleias de voto, António José Seguro
venceu apenas na Guarda onde obteve 61,20% dos votos, ou 2.528, quase
mais mil votos que António Costa.
A derrota mais pesada para
António José Seguro foi em Lisboa, com os 35.895 militantes e
simpatizantes do PS que se deslocaram às urnas a darem uma larga maioria
a António Costa - 87,93% ou 31.564 votos contra 12,77% e 4.585 votos em
Seguro.
O secretário-geral do PS, António José Seguro, anunciou, entretanto, a sua demissão da liderança na sequência dos resultados das eleições primárias e felicitou António Costa pelo triunfo neste ato eleitoral.
"Cesso hoje as funções de secretário-geral do PS", declarou o líder socialista, dizendo estar "orgulhoso" pela realização das primeiras eleições primárias em Portugal.
"São a melhor comemoração do 25 de abril de 1974", declarou António José Seguro.
Segundo os mesmos dados provisórios divulgados pelo presidente da comissão eleitoral, terão votado nas primárias 170 a 180 mil militantes e simpatizantes socialistas.
Jorge Coelho saudou depois o candidato socialista a primeiro-ministro, António Costa, mas também o derrotado, o secretário-geral cessante deste partido, António José Seguro.
"Dirijo uma palavra especial a António Costa, desejando-lhe as maiores felicidades. Deixo também uma palavra muito sentida a António José Seguro por tudo aquilo que foi o seu trabalho nos últimos três anos, tendo um papel importante no lançamento destas eleições primárias", disse.
O presidente da comissão eleitoral das primárias elogiou ainda "o rigor e a competência dos funcionários" do seu partido, insistindo que o processo das eleições primárias "decorreu de forma exemplar".
"Enquanto comissão eleitoral, a nossa missão terminou. A nossa função foi organizar as coisas para que esta grande vitória política do PS fosse uma realidade", frisou o ex-ministro socialista.
Jorge Coelho sustentou ainda que, ao longo das eleições primárias, teve "um cuidado extremo nas suas declarações", visando contribuir para que o processo corresse bem.
"O que aconteceu em Portugal com esta adesão maciça dos portugueses às eleições primárias é uma marca que fica na História da democracia do país. É algo que será irreversível em termos de futuro", advogou o ex-ministro dos governos liderados por António Guterres.