Quatro mitos desfeitos

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Passados 83 dias sobre a entrada plena em funções do novo

Governo, caíram por terra quatro mitos, que condicionaram a escolha dos

eleitores.

1.º 'Cortar despesa pública é fácil! Fazendo um conjunto de

coisas simples e evidentes, chega-se logo a cortes imediatos nas

"gorduras" do Estado superiores a 1 % do PIB (1 700 milhões

de euros).' Depois de uma aturada revisão de todas as estruturas

ministeriais, cortando a fundo no número de quadros dirigentes e de

organismos, poupa-se - para já - 100 milhões. Resta apurar

outras medidas que venham a ser tomadas, como a redução de consumos

intermédios e a racionalização de processos. Mas estamos muito

longe da meta traçada, tão ambiciosa como enganadora...

2.º 'A economia precisa de um choque de competitividade com a

desvalorização fiscal, traduzida numa redução forte da TSU paga

pelas empresas. Está tudo estudado!' As ramificações desta medida,

reclamada pelo FMI, nomeadamente na fragilização das receitas

próprias da Segurança Social e a dificuldade em calibrar medidas

compensatórias, que assegurem a compensação plena nas receitas do

Estado, arrancou os governantes do universo mágico e trouxe-os para

a dura realidade: a coisa tem efeitos cruzados complicados na

economia. Quem dizia exactamente isto na altura da vozearia eleiçoeira,

tinha razão. Mas deu a imagem de ser timorato e titubeante.

3.º 'Não há justiça na distribuição dos sacrifícios!' Na

sobretaxa do fim do ano todos os rendimentos do trabalho, acima do

salário mínimo, levam o mesmo golpe. Mas, sem um só argumento que

o fundamente, nem sequer os dividendos (isto é: os lucros

distribuídos aos accionistas, o seu rendimento pessoal proveniente

de ganhos de capital, e não os restantes lucros das empresas, que

se pretende, e bem, sejam reinvestidos!) são englobados no dito

esforço nacional. O capital é, por natureza, apátrida - é a

conclusão óbvia.

4.º 'Tirem lá os vossos esqueletos dos armários!' 1,6 mil

milhões de euros de dívidas escondidos, ao longo de vários anos, a

mando do Sr. Dr. Alberto João (mais o que ainda está por

descobrir)... Um comportamento à grega, sem tirar nem pôr. E

agora, senhores governantes dos cubanos?

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