Reino Unido: Empresas privilegiam contratos temporários e culpam guerra no Médio Oriente

Dados da KPMG e da Recruitment and Employment Confederation (REC) revelam que as empresas estão a puxar o travão das contratações, devido à incerteza causada pela escalada da guerra no Médio Oriente.
Setor da saúde britânico em contraciclo
Setor da saúde britânico em contracicloArtur Machado/Global Imagens
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As agências de recrutamento registaram um significativo aumento nas ofertas de posições temporárias, em maio, e uma queda acentuada de trabalhadores para postos efetivos – foi a maior dos últimos 10 meses. A pesar no sentimento dos empresários está o conflito no Médio Oriente, mas também o atual contexto político no Reino Unido, que tem sido tudo menos pacífico.

Neil Carberry, diretor executivo da REC, disse, ao The Guardian, que "com as empresas a travarem o recrutamento permanente face aos custos mais elevados, à crise do Golfo e à nova burocracia laboral, o trabalho temporário está a preencher a lacuna". Despedimentos, diminuição de oportunidades de emprego e preocupações genéricas com a saúde da economia e com a fragilidade do mercado de trabalho aumentaram o número de candidatos a vagas, de acordo com os números recolhidos junto de 400 consultoras, no mês passado.

No mesmo sentido, os salários de recém-licenciados e dos trabalhadores temporários registaram um aumento moderado. Em contraciclo encontra-se o setor da enfermagem, medicina e cuidados de saúde, no qual se registou um aumento na procura de pessoal efetivo. A queda mais acentuada no número de postos de trabalho efetivos verificou-se no setor do retalho.

A taxa de desemprego subiu inesperadamente para 5 % nos três meses até março, enquanto o crescimento salarial abrandou, de acordo com dados oficiais. Estes números aparecem pouco tempo depois de o governo britânico ter revelado que o número de jovens ‘nem-nem’ – não trabalham nem estudam – ultrapassou, pela primeira vez em mais de dez anos, o milhão de pessoas. Em Portugal, e para efeitos de comparação, apenas 8% dos jovens estão nesta situação. O nosso país é, aliás, aquele que apresenta o quinto valor mais baixo da EU, quando se refere a jovens nesta situação.

Jon Holt, da KPMG, explica o atual contexto. “A incerteza global e nacional em curso está a tornar as empresas mais cautelosas e isso reflete-se cada vez mais nas decisões de contratação. Enquanto alguns empregadores estão a recorrer a contratos temporários para manter a flexibilidade, muitos planos de contratação permanente estão a ser adiados ou suspensos”, esclarece.

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