O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, disse hoje acreditar que a reforma prevista pelo Governo para a Administração Local será feita com "bom senso e competência", sem prejudicar o trabalho de gestão desenvolvido naquele município."Há todas as condições para as coisas serem feitas com bom senso e competência", observou o autarca, à margem de um seminário sobre a certificação de qualidade da Polícia Municipal, a primeira polícia nacional a obter este reconhecimento.Questionado sobre se o trabalho feito pela Câmara do Porto ao nível da estrutura e dos serviços pode ser prejudicado pelas medidas da troika e pela reforma prevista pelo Governo, Rui Rio reforçou a importância dos critérios de gestão. "Depende. Se as medidas forem feitas com inteligência e competência, por pessoas que percebem de gestão, não há nada a temer. Pelo contrário, até podem vir aqui [à Câmara do Porto] colher alguns exemplos. Se forem feitos sem critérios de gestão e sem competência, isso é um problema, mas não acredito que seja assim", afirmou.Durante a sessão de abertura do seminário, o edil já tinha passado em revista os quase dez anos que leva à frente da autarquia, alertando que os cargos políticos não devem descurar "a gestão e o cuidado dos recursos".A experiência na Câmara do Porto mostra que esse esforço "culmina nos serviços a funcionarem bem por si só, sem necessidade de o presidente andar a empurrar com força os serviços para aquilo que devem fazer", vincou.Rio recordou a redução do passivo "em larguíssimos milhões", a "enorme redução" de pessoal (a Câmara do Porto está hoje a funcionar com menos 24% dos trabalhadores), a melhoria dos serviços, a definição do rácio de um trabalhador contratado por cada dois que saem e a clarificação dos departamentos e serviços com necessidades e excedentes de pessoal.O autarca lembrou ainda a extinção do setor empresarial local (com o fim da Fundação para o Desenvolvimento da Zona Histórica, o Gabinete do Desporto e a Culturporto) e a "revolução na macro-estrutura" camarária, que eliminou 40 unidades orgânicas e criou dez. "À custa desta preocupação, a Câmara do Porto está, agora, muito melhor do que o país, sublinha Rio."Lembram-se das críticas que me fizeram por ser um contabilista, sem ambição, sem rasgo? Pois o rasgo dos que me criticaram era tanto que rasgou o futuro do país", afirmou. Aos jornalistas, o presidente esclareceu que não se tratou de um desabafo, mas "quase uma pequenina vingança" porque "hoje olha-se para o panorama nacional e percebe-se o que foram estes anos todos com rasgo a mais, ambição a mais e contabilidade a menos".O Governo revelou no dia 08 que vai propor, no âmbito da reforma da Administração Local, uma redução dos dirigentes municipais para cerca de metade, esperando poupar anualmente 40 milhões de euros.O Governo pretende alterar os critérios quanto ao número de dirigentes por habitante, de forma a que os dirigentes superiores sejam no máximo 35, os dirigentes intermédios de primeiro grau não ultrapassem os 196 e os dirigentes intermédios de segundo e terceiro grau sejam no limite 1.264, totalizando 1.495 dirigentes.