Todos os 742 260 trabalhadores da Administração Pública vão ter direito a um aumento salarial adicional de 1%, além das subidas nominais atribuídas, no início do ano, de 52,11 para vencimentos brutos até 2612,03 euros ou de 2% para valores superiores, anunciou esta sexta-feira a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, durante a conferência de imprensa de apresentação das novas medidas do governo para mitigar o aumento do custo de vida..Significa que a remuneração mínima mensal terá uma valorização de 7,6 euros, de 761,58 euros para 769,2 euros..Esta correção fica então acima da diferença, de 0,4 pontos, entre a inflação média anual esperada pelo governo para 2022, de 7,4%, e a verificada, de 7,8%. Recorde-se que o primeiro-ministro, António Costa, tinha revelado, na passada quarta-feira, no Parlamento, que o governo tinha disponibilidade para dar um incremento suplementar aos salários no Estado. Na altura, o chefe do governo justificou a necessidade de uma revisão salarial devido a uma subida superior da variação média anual do índice de preços em 2022, que é o indicador que serve para a atualização dos ordenados da Função Pública e das pensões.."A inflação prevista à data do acordo [celebrado com os sindicatos da Função Pública] era 7,4% e sabemos que, afinal, a inflação de 2022 ficou em 7,8%, por isso, temos disponibilidade para uma revisão", afirmou então o primeiro-ministro..Tal como o Dinheiro Vivo adiantou, caso o executivo fizesse apenas a correção com base no diferencial de 0,4 pontos percentuais, entre a variação do índice de preços esperada (7,4%) e a efetiva (7,8%), os aumentos seriam apenas de cerca de três euros..Com a subida adicional de 1%, os funcionários públicos vão receber pelo menos mais 7,6 euros, caso aufiram a remuneração mínima no Estado, que passa de 761,58 euros para 769,2 euros, o que corresponde a uma valorização acumulada de 9% face ao salário mínimo do ano passado de 705, ou seja mais 1% do que os 8% atribuídos no início do ano..Para um salário médio de 1552,11 euros, que já beneficiou do aumento nominal de 52,11 euros, o incremento adicional será de 15,52 euros para 1567,63 euros, uma aceleração de 4,5% face ao ordenado de 1500 euros de 2022, mais 1% relativamente aos 3,5% definidos inicialmente..Em termos globais, esta revisão salarial eleva o aumento médio de 3,9% para 4,9%. A medida terá um custo de 195 milhões de euros, se for aplicada a partir de abril, como pretende o executivo..Resta saber se esta revisão salarial terá efeitos retroativos a 1 de janeiro. A ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, adiantou que, na reunião de 29 de março, com os sindicatos representativos do Estado, o governo vai "propor que os aumentos se apliquem a partir de abril"..Ao Dinheiro Vivo, o secretário-geral da Federação de Sindicatos da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (Fesap), José Abraão, revelou que vai "colocar a questão na reunião com o Ministério da Presidência"..Ainda assim, o dirigente sindical congratula-se com a decisão do executivo de subir os salários acima da inflação: "Valorizamos o cumprimento do acordo plurianual assinado com o governo, de modo a minimizar os impactos negativos da enorme inflação. Não bastaria uma correção apenas em linha com a inflação, era preciso mais e o governo entendeu a nossa mensagem"..O acordo plurianual (2023-2026) para a valorização salarial no Estado, assinado em outubro entre governo e os dois sindicatos afetos à UGT (Fesap e STE) - a Frente Comum, da CGTP, ficou de fora -, estabeleceu um aumento de 52,11 euros para todos os trabalhadores com vencimentos brutos até 2612,03 euros, com exceção dos que auferiam o salário mínimo (705 euros), que beneficiaram de uma valorização superior, de 56,58 euros, para os 761,58 euros, o que corresponde a um incremento de 8%. A partir deste patamar remuneratório, o acréscimo nominal de 52,11 euros representou um aumento entre 6,8% e 6,5% para vencimentos até 800 euros, entre 6,5% e 5% para montantes até 1040 euros ou entre 5% e 3,5% para salários até 1500 euros..A possibilidade de reajustes salariais por força da inflação é uma das cláusulas do pacto que o governo assinou com os sindicatos. Em outubro, o executivo já admitia a necessidade de reajustes, mas só para 2024. A medida acaba por ser antecipada um ano face às expectativas do governo..O subsídio de refeição também vai subir mais. Depois do aumento de 0,43 euros, de 4,77 euros para 5,2 euros por dia, aplicado no início deste ano, o governo decidiu elevar o valor deste apoio diário em mais 0,80 euros para os 6 euros..Trata-se de um incremento de 15,4% face aos 5,2 euros ou de uma valorização acumulada de 1,23 euros ou de 25,8% relativamente ao valor de 2022..A medida, que terá um custo de 250 milhões de euros, não terá efeitos retroativos. Será para aplicar a partir de 1 de abril, revelou Mariana Vieira da Silva