

O resultado líquido recorrente da instituição escorregou 4,9% em termos homólogos, para 452,8 milhões, entre janeiro e junho de 2026. “Foram resultados muito bons. Temos mais clientes vinculados, temos mais clientes que nos escolhem”, começou por dizer Isabel Guerreiro naquela que foi a sua primeira apresentação de resultados enquanto presidente da instituição.
Os resultados líquidos consolidados foram de 434 milhões de euros, 13,9% inferiores ao do ano passado, o que a administração explica com a correção de "dois fatores: A devolução da contribuição para a solidariedade e uma receita extraordinária que foi a devolução custos do anos anterior. Para efeitos de comparação excluímos esse proveito", adiantou.
"Este ano há um custo que tem que ver com ajustes de balcões e reformas antecipadas e, quando falamos em recorrência, não é uma recorrência anual. Por isso é que corrigimos para efeitos de comparação", esclarecem os responsáveis.
Adiantam ainda que "para o ano prevemos que o custo com reformas antecipadas seja zero ou próximo de zero. Não temos nada de especial previsto, ou seja, nada comparável com o que foi este ano".
Continuando a olhar para as contas, no geral e “em todas as dimensões estamos bastante satisfeitos. Uma em cada cinco casas compradas em Portugal foram apoiadas pelo Santander. Temos mais de 17 mil jovens a quem apoiámos na compra da sua casa e com um nível de satisfação elevado”, continuou Isabel Guerreiro, à frente da instituição desde janeiro deste ano.
Créditos e depósitos sobem
O crédito a habitação concedido pelo Santander cresceu 8%, com os jovens com menos de 35 anos a representar uma fatia significativa dos clientes. Desses, cerca de 25% recorreram à garantia estatal. Já o crédito ao consumo também aumentou (6,7%), enquanto o crédito às empresas disparou 10,9%.
"Nós somos um banco bastante diferenciado em termos da nossa proposta de valor e isso é reconhecido pelas empresas. Em termos de oferta, da possibilidade de apoiar as empresas na internacionalização…", justificou Isabel Guerreiro. "Não somos um banco que tenha preocupação de ganhar por preço, mas sim ganhar por qualidade. Até porque [a nossa carteira] é muito diversificada. Crescemos em todos os segmentos", salientou a presidente do banco, realçando ainda o aumento da presença junto de grandes empresas, nomeadamente em operações de M&A (fusões e aquisições na sigla em inglês).
Numa apresentação descontraída e informal, Isabel Guerreiro salientou ainda o rácio de eficiência da instituição (27,2%), que diz estar “convencida de que é o melhor do sistema financeiro português e que é um dos melhores da Europa. O grande investimento que temos feito em tecnologia também se traduz nos gastos gerais. Estamos a ganhar eficiência também pela aposta que temos feito na tecnologia”, sublinhou, garantindo que os clientes estão satisfeitos com esta reorganização do banco que se tem transformado, cada vez mais, num banco digital “com balcões onde também se tratam de produtos financeiros, mas onde acontecem outras coisas”.
Menos colaboradores, diferentes balcões
Entre o primeiro semestre de 2026 e igual período do ano anterior, o Santander perdeu 139 pessoas, muitas delas por aproximação da idade da reforma, esclareceu a responsável, já no momento de perguntas e respostas no qual se viu ladeada dos restantes membros do Conselho de Administração do banco. Uma das razões que explica, aliás, a subida das despesas com pessoal registadas no balanço da instituição. Mas têm também contratado pessoas, "que preenchem lacunas que existiam no banco, nomeadamente em áreas como tecnologia e data science", continua Guerreiro. O Santander quer continuar a afirmar-se como um banco cada vez mais digital, onde ainda assim os balcões não terão de perder lugar, garante a presidente, mas terão de ser transformados.
A instituição do conceito de WorkCafés – foi num deles, o das Amoreiras, no centro de Lisboa, que foi feita a apresentação de resultados – que deverão ser 15 até ao final do ano, faz parte dessa transformação. Queremos “dar de volta à comunidade e servir os clientes” com espaços onde podem ter uma série de outros serviços, beber café, ter reuniões, trabalhar… Estes WorkCafés inaugurados pelo Santander têm desde espaços de cowork a salas de reuniões que os clientes podem utilizar, além de terem balcões onde se podem tratar de todas as operações financeiras necessárias.
Isabel Guerreiro salienta que o objetivo é chegar a 2028 com 50 espaços destes, que não estarão cingidos aos grandes centros urbanos. "Vamos avaliando de forma granular e decidindo em conformidade", garante.
Questionada sobre se tem um número de balcões que conta encerrar, repete: "Haverá uma análise caso a caso para ver onde faz sentido fazer fusão de balcões, encerrar, reabrir...nuns casos temos de pensar se faz sentido garantir um espaço maior, e noutros casos, em outras comunidades, até pode fazer sentido abrir. Não tenho nenhum plano pré-fixado", garante.
Na apresentação das contas relativas ao primeiro semestre do ano, a responsável esclareceu ainda que, apesar de haver registo de um aumento de 5,5% das comissões líquidas, estas não refletem um aumento de custo para os clientes, e garantiu que “não houve nem contamos que venha a haver qualquer alteração de preçário”. Mas “temos mais clientes, mais contas e, portanto, temos mais comissões”, justifica, lembrando que o envolvimento em operações com grandes empresas também impactou positivamente esta linha das contas do banco.
O crédito a clientes e os recursos de clientes (depósitos) registaram aumentos de 9,4% e 6,6%, respetivamente.