Smart Farm Hub é uma nova ferramenta para a sustentabilidade agrícola

ANIPLA lança projeto digital de acesso livre para resposta ao Pacto Ecológico Europeu e de preparação do setor para as alterações climáticas
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Agricultores, consumidores, formadores, industriais e comerciantes passam a dispor, desta segunda-feira, de uma ferramenta digital com informação dedicada às práticas que possam tornar a agricultura sustentável. Trata-se do projeto Smart Farm Hub, da iniciativa da Associação Nacional da Indústria para a Proteção das Plantas (ANIPLA).

Na prática, o Smart Farm Hub, desenvolvido com a colaboração da congénere europeia da ANIPLA, a Croplife, vai disponibilizar informação sobre como manusear pesticidas de forma sustentável; como proteger a qualidade das águas, através do tratamento dos efluentes da atividade agrícola, e ensinar os produtores como podem integrar a ecologia na sua prática, para assim promover a biodiversidade.

O acesso é livre e terá de ser feito através do site da ANIPLA, que assim aprofunda uma das valências de que já dispunha online desde o final do ano passado, usada para desmaterializar a Smart Farm, criada fisicamente na Companhia das Lezírias, em 2016.

A diferença agora é que o novo projeto terá uma maior amplitude, tendo em conta as parcerias que vão ser formalizadas na segunda-feira, de novo, na Companhia das Lezírias, as quais contribuirão para um espaço virtual de "reflexão, partilha e comunicação", como sintetiza João Cardoso, diretor executivo da ANIPLA.

Serão assinados quatro protocolos que envolvem o CIB-Centro de Investigação de Biotecnologia, ligado à Universidade Nova; o InnovPlantProtect, um laboratório associativo de Elvas; a Aposolo-Associação Portuguesa de Mobilização de Conservação do Solo; e o laboratório Smart Farm Colab, de Torres Vedras.

Pelas entidades envolvidas percebe-se que a aposta é na obtenção de sinergias que promovam o estudo do efeito das alterações climáticas; a investigação e desenvolvimento de biopesticidas; a biotecnologia, a conservação do solo e a agricultura digital e de precisão.

João Cardoso justifica a iniciativa com a necessidade de o setor responder, por um lado, às exigências decorrentes da regulamentação do Pacto Ecológico Europeu e, por outro, aos desafios dos fenómenos meteorológicos cada vez mais severos (secas e inundações) e à proteção dos solos.

O dirigente associativo refere que a biodiversidade, por exemplo, pode ser estimulada através da prática de culturas de cobertura (as pastagens são uma possibilidade), ou da criação de abrigos aquáticos, para proteção dos anfíbios, e de ninhos de aves, com o objetivo de atrair animais com um efeito benéfico no combate às doenças e pragas das plantas. O mesmo de aplica à criação de abrigos para insetos, igualmente importantes para o desenvolvimento das culturas.

"A agricultura de precisão, outro exemplo, estipula o uso cuidadoso de pesticidas em quantidades que não prejudicam nem a planta, nem o consumidor, em o ambiente, para assim se obter mais alimentos e de melhor qualidade, mais saudáveis", menciona ainda João Cardoso.