Só 17% das empresas cumprem prazos de pagamento, contra 45% na UE

Dados da Informa D&B mostram que os serviços empresariais, a construção e a agricultura são os setores que levam mais tempo a liquidar as suas faturas, entre 81 e 104 dias.
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As empresas portuguesas têm vindo a reduzir o seu prazo médio de pagamento na última década, com exceção do ano 2016, em que aumentou novamente, mas, mesmo assim, Portugal compara mal com a União Europeia. É que, na Europa, 44,7% das empresas cumprem os prazos acordados, enquanto em Portugal só 17,2% das entidades o fazem. Um número que até é bem inferior aos 21,7% de cumpridores que existiam em Portugal em 2007, antes da crise do subprime. Os dados , de 2021, são da Informa D&B e mostram que no top três dos piores pagadores estão os serviços empresariais, com prazos médios de 81 dias, a construção, com cem dias, e a agricultura e outros recursos naturais com 104 dias em média.

O prazo médio de pagamento, em Portugal, era de 67 dias em 2021, quatro dias a menos do que em 2020, o primeiro ano da pandemia. Mas, em 2010, era de 82 dias em média, refere a Informa D&B no estudo "A relevância das compras na economia nacional", que vai já na sua quinta edição. As pequenas e as micro empresas são as que apresentam maiores dificuldades no pagamento a tempo e horas, com prazos médios de 73 e 83 dias, respetivamente.

Em termos de setores, as empresas de Energia e Ambiente são as que apresentam o prazo de pagamento mais pequeno: 38 dias em média. As atividades imobiliárias e o retalho têm prazos de 56 e 59 dias, seguindo-se os grossistas e o setor do alojamento e restauração, com prazos médios de 60 e 65 dias. As empresas industriais levam, em média, 69 dias a liquidar as suas faturas, sendo este prazo de 76 dias para os setores dos serviços gerais e dos transportes. Por fim, e além do top 3 dos piores pagadores já referido, destaque para os 78 dias de prazo médio de pagamentos das entidades da área das tecnologias de informação e comunicação.

271,3 mil milhões de euros em compras em 2021

O estudo, que será hoje apresentado pela Informa D&B na conferência da APCADEC - Associação Portuguesa de Compras e Aprovisionamento, apresenta ainda dados de agosto de 2022 que mostram que só 18,5% das empresas pagam dentro do prazo. Entre os faltosos, 67% pagam com até 30 dias de atraso, 8,7% pagam com 30 a 90 dias de atraso e 5,8% com mais de 90 dias, ou seja, três meses de atraso. Subordinada ao tema "Procurement em Portugal: Como fazer diferente", o evento conta com oradores como Nuno Fitas Mendes, administrador da Portgás, Isabel Maria Santos, diretora de compras da Sogrape, ou Paulo Costa, Global Head of Procurement da Farfetch, entre outros.

Pelo trabalho da Informa D&B ficamos ainda a saber que as compras das empresas em Portugal , em 2021, totalizaram 271,3 mil milhões de euros, entre aquisição de bens e fornecimentos e serviços externos, valor que corresponde a um crescimento de 18% face ao ano anterior e supera já os números pré-pandemia. Mais, as empresas comerciais "representam a quase totalidade" do valor das compras em Portugal, já que a Administração Pública foi responsável por aquisições de apenas 14,7 mil milhões e a banca por 4,4 mil milhões.

Foram 355 mil empresas que asseguraram os 271 mil milhões de euros de gastos em bens e serviços, sendo que três setores - a indústria, o comércio grossista e o comércio a retalho - concentram dois terços do total. E embora representem apenas 9% do total do universo empresarial, as empresas industriais foram responsáveis por 26,7% do valor total gasto em compras, o que engloba tanto as matérias-primas como os produtos intermédios e mercadorias, bem como os fornecimentos e serviços externos.

Na divisão por tipo de compras, cinco setores são responsáveis por aproximadamente um terço do total gasto na aquisição de bens: os grossistas alimentares, o retalho, a indústria de equipamentos, o retalho automóvel e a indústria alimentar. As TIC, construção, serviços gerais, serviços empresariais e os transportes são, por seu turno, as atividades em que os fornecimentos e serviços externos maior peso têm.

Indústria é a que mais importa

Dos 271 mil milhões de euros em compras, 75% foram realizadas no mercado nacional. Aliás, todos os setores de atividade compram, maioritariamente, os bens e serviços de que necessitam em Portugal, sendo que o segmento industrial, os grossistas e as TIC são os que têm maior peso de importação de materiais e bens, com valores de 39%, 33% e 31%, respetivamente. Sem surpresa, os serviços gerais, o alojamento e a restauração e as atividades imobiliárias são as áreas em que as importações têm menor peso, representando apenas 4%, 3% e 2%, respetivamente.

Não é também surpresa perceber que são as grandes empresas as maiores responsáveis pelos gastos realizados. Embora representem apenas 0,2% do total do tecido empresarial, as 733 grandes empresas asseguraram mais de 119 mil milhões de euros de compras em bens e serviços, ou seja, 44% do total. Já as micro empresas, que correspondem a 94,5% do tecido empresarial, foram responsáveis por 20% dos gastos totais, enquanto as pequenas empresas (4,3% do universo) asseguraram 17% das compras de materiais e as médias (1% do total das empresas) garantiram 19% dos 271 mil milhões.

Os setores industriais foram os grandes consumidores de matérias-primas e bens intermédios, correspondendo a 34,7% dos gastos realizados pelas grandes empresas e a 29,4% no caso das médias empresas.

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