Sociedade Vinícola de Palmela quer duplicar peso dos mercados externos

Empresa fechou 2022 com vendas de 1,8 milhões de euros, "o melhor resultado de sempre", e pretende, este ano, crescer 35% e chegar aos 2,5 milhões. As exportações deverão chegar aos 30%.
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A caminho dos 60 anos, que comemora em 2024, a Sociedade Vinícola de Palmela está apostada em crescer e afirmar-se no panorama mundial. Os mercados externos valeram, em 2022, cerca de 15% das vendas, que totalizaram 1,8 milhões de euros, "o melhor resultado de sempre", mas o objetivo, este ano, é que cheguem aos 30%. Ambiciosa é também a meta traçada para a faturação: deverá crescer 35% e aproximar-se dos 2,5 milhões de euros.

"A revisão acionista que a Sociedade Vinícola de Palmela teve há dois anos e meio trouxe uma capacidade de investimento acrescida à empresa, que se dedicou a fazer uma aposta muito grande em marketing e na renovação e no rebranding da sua linha de produtos. Houve uma reinvenção total e 2023 será o ano 1 de todo este investimento", explicou ao Dinheiro Vivo o diretor-geral adjunto, Luís Camacho Simões.

Só nos últimos dois anos, a empresa de Palmela investiu cerca de dois milhões de euros em equipamentos e em recursos humanos, que agora pretende rentabilizar. Em causa está uma nova máquina de rotulagem para a gama de engarrafados, uma nova linha de enchimento de barril à pressão e a modernização dos equipamentos para o segmento bag in box.

"São três canais distintos que nos vão ajudar a crescer e a garantir o sucesso em termos de chegada ao mercado com marcas novas e muita aposta em marketing e na diferenciação", diz Luís Camacho Simões, que acrescenta: "Estamos a chegar ao mercado com marcas que já têm história, mas queremos modernizá-las. Tanto no barril de vinho à pressão, que somos uma das marcas mais antigas, como no bag in box, não queremos trabalhar só o segmento de preço, queremos trazer para Palmela uma valorização regional, uma diferenciação que leve o consumidor a estar disponível para pagar mais".

Nos engarrafados, a aposta é na segmentação por tipos de mercado. Durante anos a empresa esteve muito ligada à venda na distribuição, mas está a fazer uma grande aposta na restauração, com marcas distintas para cada um dos mercados: Serra Mãe, para a restauração; Terras do Sado, para os supermercados.

E depois do rebranding da gama Serra Mãe, no final de 2022, com uma oferta completa de colheitas, varietais e reservas, a Sociedade Vinícola de Palmela lançou, logo no arranque de 2023, cinco novas referências de moscatéis que compõem uma gama premium de aposta: Moscatel Roxo de Setúbal de cinco e dez anos, e Moscatel de Setúbal de cinco, dez e 20 anos.

"Queremos ser um grande operador nos moscatéis. Temos grande concorrência na região, mas o Moscatel é um produto que sempre nos representou bastante bem", refere o responsável, lembrando que este é um trabalho para as próximas gerações. "Vamos continuar a trabalhar para preservar o lote e apostar no envelhecimento dos moscatéis, que é o que nos permitirá depois ir fazendo lançamentos muito exclusivos", frisa. Refira-se que a Sociedade Vinícola de Palmela foi eleita, em fevereiro, Empresa de Vinhos Generosos de 2022 nos Prémios Grandes Escolhas.

O enoturismo é outra das grandes apostas. A Sociedade Vinícola de Palmela não tem vinhas próprias - foi criada em 1964 por um grupo de vitivinicultores locais para engarrafar e comercializar os seus vinhos, até então vendidos a granel - nem pretende ter. Vinifica as uvas dos 400 hectares dos seus associados e é precisamente nas propriedades deles que pretende desenvolver provas e programas mais alargados, designadamente nas vindimas, que permitirão conquistar novos clientes.

Em termos de mercados internacionais, o objetivo é reforçar o peso do Brasil e de Angola, os seus principais destinos externos, mas também fazer uma aposta muito grande no Reino Unido e Estados Unidos, bem como na Dinamarca e China. A Rússia, que era o principal mercado externo há dois anos, está totalmente parado.