Atração e retenção de talento: este é o principal desafio que muitas empresas dos mais variados setores enfrentam atualmente. Será um sinal de que chegou a altura de valorizar mais as skills do que os diplomas? As soft skills deverão pesar mais na hora de contratar?
"Os efeitos da pandemia de COVID-19, a iminência de uma recessão, as taxas de inflação ainda em trajetória crescente e o desgaste revelado pelos trabalhadores levaram os empregadores a repensar a sua abordagem relativamente ao capital humano e à gestão de talento", explicou a McKinsey num artigo sobre as competências essenciais no futuro do mercado de trabalho.
A consultora acrescentou que, segundo um estudo realizado em parceria com a Rework America Alliance, cada vez mais as empresas analisam não só os diplomas e os cargos, mas também as soft skills necessárias para cada função. Aliás, tal verifica-se mesmo em grandes companhias americanas (como, por exemplo, Boeing, Walmart ou IBM), que já eliminaram alguns requisitos de formação.
Mas, afinal, o que notaram as organizações que adotaram esta nova abordagem?
O que ganham as empresas com foco nas soft skills?
Ao optarem por conferir maior relevância às soft skills, as empresas beneficiam no processo de recrutamento:
Além disso, outros dados demonstram a eficácia desta nova abordagem, que prioriza as soft skills, por exemplo, contratar com base nas competências dá cinco vezes mais garantias de um bom desempenho do que contratar com base na formação, segundo a McKinsey. Por outro lado, confere duas vezes mais garantias do que uma escolha baseada na experiência profissional.
Conclui-se, então, que "as práticas baseadas em competências permitem aos empregadores não apenas encontrar os melhores trabalhadores, mas também retê-los numa altura em que historicamente é difícil fazê-lo".
Reforçando ainda a ideia de que apostar na importância das soft skills apresenta vantagens inegáveis para as empresas, os dados revelam que trabalhadores sem diplomas tendem a permanecer nos empregos 34% mais tempo do que os diplomados.
Torna-se, pois, fácil concluir que uma estratégia de recrutamento que tem em conta as soft skills confere mais flexibilidade às empresas para responderem à necessidade de procura e retenção de talento. Simultaneamente, poupam tempo e energia em processos de recrutamento desafiantes. Contudo, quais são os benefícios para os trabalhadores?
O que ganham os trabalhadores?
Parece claro que uma estratégia centrada em soft skills abre mais oportunidades para os trabalhadores, tanto para os que estão ativamente à procura de emprego como para quem procura mudar de funções sem sair da mesma empresa. Sem as habilitações académicas como entrave, surgem outras oportunidades de carreira e a possibilidade de acesso a níveis de remuneração superiores.
Cultivando as skills necessárias e apostando na formação profissional, os trabalhadores conseguem transformar a sua carreira. Criam-se, assim, oportunidades de desenvolvimento profissional e pessoal que dificilmente surgiriam na antiga abordagem que dava prioridade às habilitações no recrutamento.
As vantagens são evidentes, todavia, sabemos que o panorama de recrutamento e gestão de pessoas transfigurar-se-á substancialmente quando se conferir mais importância às soft skills. Portanto, as empresas devem analisar e identificar as skills fundamentais a desenvolver e as atuais competências das suas equipas, tentando preencher os gaps. Sem dúvida, no final, todos ganharão com organizações mais inclusivas.