Sonae promete reforçar a aposta e o investimento em Portugal

Dos mais de 1,1 mil milhões de euros investidos em 2023, mais de 75% foram aplicados em território nacional
Cláudia Azevedo, CEO da Sonae. FOTO: Pedro Correia/Global Imagens
Cláudia Azevedo, CEO da Sonae. FOTO: Pedro Correia/Global ImagensCláudia Azevedo, CEO da Sonae. FOTO: Pedro Correia/Global Imagens
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A Sonae é hoje um grupo presente em mais de 60 países em todo o mundo, com negócios variados, do retalho ao imobiliário, passando pelas tecnologias, telecomunicações e pelos negócios emergentes, como o crédito ao consumo ou as soluções sustentáveis e saudáveis no setor alimentar, mas a aposta em Portugal é para manter. “Portugal continuará a ser a nossa geografia principal”, prometeu o administrador financeiro da Sonae, garantindo que o investimento no país não está em causa.

“Vamos continuar a investir para garantir que todos os nossos negócios em Portugal têm as condições certas para vencerem nos seus setores. Isso é inegociável. Não vamos, de forma alguma, reduzir o investimento nos negócios em Portugal para investir noutras geografias”, sublinhou.

João Dolores respondia aos jornalistas no final da sessão de apresentação de resultados da Sonae referentes a 2023, ano em que aumentou as vendas consolidadas do grupo em 9% para 8,4 mil milhões de euros, a rentabilidade operacional em 7% para 990 milhões, e os resultados líquidos em 6% para 357 milhões de euros.

O ano ficou também marcado por um “investimento elevado”, de 665 milhões de euros (mais 5% do que em 2022), 75% dos quais foi investimento feito em Portugal. Incluindo a NOS, empresa que não é consolidada integralmente nas contas da Sonae SGPS, o investimento agregado total foi de 1,1 mil milhões de euros.

Recorde de investimento em 2023

“Fizemo-lo sem comprometer a solidez financeira do grupo. Apesar deste nível recorde de investimento que tivemos durante o ano de 2023, conseguimos, ainda assim, reduzir o nosso nível de endividamento e temos hoje um nível de dívida historicamente baixo na Sonae que é o que nos permite olhar para o futuro com bastante ambição e confiança”, afiançou João Dolores.

Questionado sobre eventuais desinvestimentos, o CFO garante que o grupo está hoje “muito satisfeito” com o portefólio que tem e que os grandes movimentos de desinvestimento projetados já foram feitos. O mais recente foi a saída do negócio do retalho desportivo, com a venda da participação da Sonae na Iberian Sports Retail Group, dona da Sport Zone.

“Não temos nada neste momento previsto com significado em termos de desinvestimento, para além da atividade normal de gestão ativa de portefólio. Claro que estamos sempre atentos ao mercado e ao desempenho dos seus negócios e estamos sempre, sobretudo, à procura da melhor solução possível para cada uma das empresas do nosso portefólio”, acrescentou.

Em termos de investimentos, destaque para os 310 milhões de euros da Sonae MC, que abriu 65 novas lojas próprias, para os 52 milhões no universo da BrightPixel, “o braço de investimento em tecnologia” do grupo, ou para os 388 milhões investidos pela NOS.

Outras gerografias

Já em 2024, a Sonae anunciou estar em negociações para a compra, através da Sparkood, de 89% na empresa francesa Diorren (que atua na área dos suplementos alimentares), uma participação avaliada em 152 milhões de euros. E deu por concluída, há dias, com sucesso, a operação pública da aquisição da nórdica Musti, operador líder nos países nórdicos de retalho para animais de estimação, assegurando 80,65% do capital da empresa, num investimento de 700 milhões de euros.

No arranque da apresentação de contas, a CEO do grupo, Cláudia Azevedo, referiu que a Sonae alcançou “resultados financeiros sólidos”, crescendo num ambiente de mercado “volátil e desafiante”. Mas destacou também que o crescimento foi feito mantendo um “forte compromisso” com a criação de valor social e natural. A Sonae é hoje o maior empregador do setor privado em Portugal, com uma quota de 4,8%, correspondentes a 47 mil empregos diretos, mas que alavancam mais 212 mil indiretos, indicou, sublinhando que a massa salarial fixa do grupo cresceu 13% em 2023, para 785 milhões de euros, e os prémios de desempenho totalizaram 85 milhões, mais 10,5% do que no ano anterior.

O compromisso com a comunidade fica patente, diz, nos 33 milhões de euros de donativos atribuídos em 2023, mais 1,4 milhões do que no ano anterior, tendo sido apoiadas 1400 instituições.

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