Startup portuguesa que usa IA para impulsionar marketing digital quer chegar a 200 lojas em 2026

Com os espaços publicitários cada vez mais caros, a Clustie propõe-se a reduzir os custos com marketing digital em pelo menos 30%. A lista de clientes vai desde a Ticketline ao FC Famalicão.
A Clustie desenvolve tecnologia para aperfeiçoamento de campanhas de marketing digital.
A Clustie desenvolve tecnologia para aperfeiçoamento de campanhas de marketing digital.Gerardo Santos
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Cada vez mais marcas querem pagar por espaços de publicidade nas maiores plataformas digitais (a começar pelas redes sociais). No entanto, estas são poucas e erguem um monopólio em que os anúncios ficam cada vez mais caros. Uma startup portuguesa quer ajudar a tornar os investimentos mais eficazes, com recurso à Inteligência Artificial, e já conta com clientes tão diversos como FC Famalicão, MEO Marés e Dubai Basketball.

Na era do conteúdo digital, o Instagram, Tiktok, Facebook, o motor de busca Google e o Youtube concentram grande parte da atenção dos utilizadores, no mundo digital. É por ali que estes encontram grande parte da publicidade no dia-a-dia e, assim sendo, não é de admirar que um espaço para anunciar seja cada vez mais caro.

Por um lado, a procura aumenta, com o crescimento do número de lojas de e-commerce que procuram ocupar os espaços publicitários (tendência particularmente visível durante a pandemia). Ao mesmo tempo, a oferta não estica, na medida em que as plataformas mais procuradas pelos consumidores (e, consequentemente, pelas marcas) não se alteram.

O resultado é uma espécie de oligopólio do marketing digital, no qual poucas elites (as empresas citadas) controlam um mercado de enorme dimensão, que movimentou entre 670 e 790 mil milhões de dólares em 2025, de acordo com as contas da PwC, Statista, WPP Media e Grand View Research (metodologias de cálculo variam).

De resto, a indústria cresce aproximadamente 10% ao ano desde a pandemia. As estimativas apontam para a manutenção do ritmo pelo menos até ao final da década e antecipam que o dinheiro total movimentado venha a superar o bilião de dólares (trillion, em inglês) até 2030.

Ora, o orçamento das empresas é limitado, pelo que estas procuram formas de se tornarem mais eficientes no que diz respeito ao investimento em publicidade online. É aqui que surge a Clustie, uma startup tecnológica portuguesa que vai além fronteiras e promete ajudar neste processo.

Da IA à redução da despesa

Com o objetivo de "comprimir" a despesa, a Clustie desenvolveu uma ferramenta com o mesmo nome, que recorre à Inteligência Artificial (IA) para impulsionar o sucesso dos anúncios. Foi lançada em dezembro de 2025 e, agora, "o Time to Value [tempo até um produto dar rendimento real] é muito rápido e totalmente autónomo", assinala Tiago Costa Rocha, CEO da empresa, à conversa com o Dinheiro Vivo.

"Os nossos clientes estão a conseguir reduzir 30% logo que começam a utilizar", especifica. Criada em 2020, a empresa conta com uma equipa de 14 pessoas, divididas por Lisboa e Porto. Tudo está de tal forma automatizado que "quase só temos que supervisionar", diz. "Não precisamos de interagir com o processo, desde que o cliente instala até que começa a tirar valor do produto.

Uma vez subscrito, "liga diretamente com o Shopify", uma tecnologia que permite criar uma loja online — são já milhões criadas neste modelo. A Clustie foca-se, por isso, num nicho de mercado e conecta-se com a loja para entrar automaticamente no canal de marketing.

Inicialmente, "identificamos quais são os melhores clientes para as marcas apontarem o marketing digital", com o propósito de identificar por onde a marca pode ir para aumentar as vendas.

Depois, com recurso à IA, o Clustie integra os canais de marketing, assim como analisa audiências registadas e públicos por explorar. No final de contas, faz com que "essas marcas reduzam o custo de aquisição de clientes", esclarece. Este último é um indicador muito usado no que diz respeito a marketing e diz respeito ao calculo do dinheiro que a empresa investe para angariar um novo cliente.

Crescimento sem fronteiras

"Temos um período grátis, de 30 dias, para que as marcas possam ver o impacto real no negócio. Sete em cada dez marcas estão a passar diretamente ao plano pago", salienta Tiago Costa Rocha.

A Clustie já conta com 80 clientes (lojas online) de 16 países e tem o objetivo de "atingir pelo menos 200 lojas até final do ano", sublinha. Para tal, conta sobretudo com empresas estrangeiras, as quais representam mais de 70% do total de clientes.

Entre estes, surgem organizações que vão desde clubes de futebol a festivais de música. Entre os nomes mais badalados estão Ticketline, Dubai Basketball, Primavera Sound, MEO Marés, Federação de Futebol do País de Gales (FAW), Villarreal CF e FC Famalicão, por exemplo.

Olhando para o futuro, o CEO lembra que o mercado português é muito menor que outros (15 mil lojas portuguesas de e-commerce usam Shopify). Antecipa, por isso, um cenário de "crescimento global" e garante que a empresa está totalmente capacitada para tal.

Em qualquer canto do mundo, "o cliente consegue instalar o produto a qualquer momento e tirar valor dele" de forma imediata.

De referir que a empresa procedeu recentemente a um rebranding, alterando o nome de FULLVENUE para Clustie.

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