TAP operou 3317 voos em dezembro, menos 70%

A TAP admite que a evolução do número de voos, em 2020, mostra uma reversão da recuperação verificada no verão, com o número de voos a diminuir em outubro e novembro, subindo ligeiramente em dezembro, mas para níveis abaixo dos registados em outubro.
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A TAP operou 3317 voos em dezembro de 2020. Um número que fica 70% abaixo do registado no mesmo período de 2019 em que a companhia aérea realizou 11 015 voos, de acordo com uma nota interna a que o Dinheiro Vivo teve acesso.

A companhia aérea liderada por Ramiro Sequeira admite que no mês passado "não se verificou o esperado aumento de procura do período das festas, em virtude do agravamento, que persiste, das medidas restritivas, por toda a Europa, na sequência da 2ª e 3ª vagas, bem como na identificação da nova estirpe do novo coronavírus no Reino Unido, com um grau de transmissão significativamente maior".

A capacidade (ASK - Available seat Kilometer) também recuou face a dezembro de 2019. Foi uma quebra de 67%.

Quanto ao global de 2020, a transportadora aérea, na nota a que o Dinheiro Vivo teve acesso, admite que a evolução do número de voos mostra uma reversão da recuperação verificada no verão, com o número de voos a "diminuir em outubro e novembro, subindo ligeiramente em dezembro, mas ainda assim para valores inferiores a outubro".

"A taxa de ocupação média global da TAP, quando ponderada com o volume de voos realizados em cada mês, entre julho e outubro, é de 54%, vinte e oito pontos percentuais abaixo da taxa média global de 2019", acrescenta.

A quebra na procura pelo transporte aéreo não é exclusiva da TAP. Pelo contrário. Afeta a maioria das companhias aéreas mundiais. O ano passado foi, devido à pandemia de covid-19, um dos piores que há memória para o setor do turismo e da aviação civil. No caso de Portugal. a NAV, que gere o tráfego aéreo, revelou esta segunda-feira, 18 de janeiro, que a pandemia levou o tráfego aéreo a recuar mais de 20 anos. No ano passado, a empresa que controla o tráfego aéreo em Portugal geriu 345,3 mil voos, uma quebra de 58% face a 2019, o que "representa o pior registo desde 1998, ano em que o controlo de tráfego aéreo geriu 357 mil voos".

A gestora do tráfego aéreo diz ainda que, desde 1998, "o total de movimentos controlados pela NAV manteve-se em crescimento praticamente constante até ao máximo registado em 2019, quando controlou 816 mil voos".

O arranque deste ano de 2021 não será muito distinto do que sucedeu no final do ano passado devido à chamada terceira vaga da pandemia, que levou vários governo a restringir as movimentações dos cidadãos. Os números da Eurocontrol, organização europeia para a Segurança da Navegação Aérea, ilustram o que se passa nos céus europeus: de 1 a 13 de janeiro deste ano, o tráfego aéreo estava 61% abaixo do registado no mesmo período de 2019, ou seja, no ano pré-pandémico. E a expectativa é que, neste arranque do ano, as viagens continuem abaixo dos níveis registados antes da pandemia.

No relatório, publicado no passado dia 14, a Eurocontrol afirmava: "É esperado a diminuir devido à renovação de confinamentos em muitos países europeus", como é o caso da Alemanha e França, dois países que contam com importantes comunidades portuguesas.