A TAP obteve lucros de 203,5 milhões de euros no total acumulado dos primeiros nove meses de 2023, depois dos 90,8 milhões de euros de prejuízos registados no período homólogo. De acordo com comunicado emitido pela empresa, só o terceiro trimestre deste ano representa 180,5 milhões de euros em lucros, o valor "mais elevado de sempre" desde que são publicados resultados trimestrais.
A transportadora sublinha que os resultados líquidos melhoraram em 69,2 milhões de euros face ao terceiro trimestre do ano passado e 179,4 milhões de euros relativamente ao período pré-pandemia, em 2019.
Quanto às receitas operacionais dos últimos nove meses, o valor ascende aos 3,2 mil milhões de euros, um aumento de 725 milhões de euros em termos homólogos, mais 29,7% em termos percentuais.
No que diz respeito a resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA), registaram-se 752,4 milhões de euros, com uma margem de 24%, entre janeiro e setembro deste ano. O EBIT recorrente também bateu recordes, ao fixar-se nos 400,7 milhões de euros, com margem de 13%. Pesando apenas o terceiro trimestre, o EBITDA subiu para os 380,4 milhões de euros neste período (+41,7%).
Embora se verifique um descréscimo de 147,3 milhões de euros em comparação com o final do ano passado e "seguindo o habitual padrão sazonal de consumo de liquidez da indústria" no terceiro trimestre e considerando, ainda, o reembolso das obrigações dos últimos quatro anos no valor de 200 milhões de euros até final de junho deste ano, a empresa mantém uma "posição de liquidez forte de 768,8 milhões", lê-se no comunicado divulgado esta terça-feira.
Os primeiros nove meses do ano ficam também marcados pela melhoria do rácio dívida financeira líquida/EBITDA, que passou de um rácio de 3,5 vezes, registado no final de 2022, para 2,4 vezes até ao passado dia 30 de setembro.
Face aos últimos meses do ano passado, a dívida financeira desceu 11% para os 1439,5 milhões de euros em termos nominais. Para Luís Rodrigues, CEO da TAP citado em comunicado, o aumento "significativo" das receitas, suportado por "margens operacionais resilientes", comprovam "a solidez financeira do grupo num contexto desafiante".
A contribuir também para os valores operacionais, a transportadora aérea sublinhou o transporte de 12,1 milhões de passageiros até setembro, mais 19,5% face ao período homólogo.
Só no terceiro trimestre, o número de passageiros aumentou 5,2% e as receitas operacionais atingiram os 1258 milhões de euros, mais 139,5 milhões face ao terceiro trimestre do ano passado.
No que diz respeito às receitas do segmento de passageiros, o aumento foi de 179,4 milhões de euros, um aumento percentual de 17,9% em relação ao período homólogo de 2022, totalizando agora os 1181,3 milhões de euros.
Por outro lado, as receitas correspondentes ao segmento de carga sofreram uma quebra na ordem dos 26,2 milhões de euros, fixando-as nos 38 milhões de euros. Trata-se de menos 40,8% quando comparado com o mesmo período do ano passado.
Da mesma forma, as receitas de divisão de manutenção também caíram face ao terceiro trimestre de 2022, em cerca de 15,2 milhões de euros, atingindo os 32,9 milhões de euros. De acordo com a transportadora aérea, a quebra deve-se particularmente aos problemas verificados nas cadeias de abastecimento, que "atrasaram atividades programadas".
Ainda na mesma nota, a TAP dá conta de um aumento dos custos operacionais recorrentes para os 982,2 milhões de euros, o equivalente a mais 16 milhões de euros do que no terceiro trimestre do ano anterior. Em comparação com o mesmo período de 2019, os custos operacionais recorrentes subiram 7,8%, "devido ao aumento dos custos com combustíveis e custos operacionais de tráfego".
De recordar que no passado dia 28 de setembro, o governo anunciou as diretrizes para o processo de reprivatização da empresa, estabelecendo a venda de pelo menos 51% da companhia.