TAP tenta travar greve e senta sindicato à mesa em nova ronda negocial

A administração da transportadora aérea e o SNPVAC arrancam esta sexta-feira com a segunda reunião de negociações após a assembleia geral de tripulantes ter chumbado a proposta da companhia para um novo acordo de empresa.
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São os últimos esforços para evitar um rombo nas contas de 68 milhões de euros. Depois de os tripulantes de cabine terem voltado a chumbar ontem a nova proposta da TAP para um acordo de empresa (AE), a transportadora avançou com uma nova ronda de negociações com Sindicato do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) ainda durante a tarde desta quinta-feira. As duas partes estiveram reunidas no final do dia e está agendado para esta sexta-feira, 20, um novo encontro, informou o SNPVAC.

"Decorreu ontem, ao final do dia, mais uma ronda negocial entre a Administração e a Direção do SNPVAC, de modo a tentar solucionar o diferendo que nos separa. Nessa reunião, a Direção do Sindicato explanou, de forma detalhada, a enorme insatisfação dos nossos Associados, bem expressiva perante o resultado final", informa a estrutura sindical num comunicado interno a que o Dinheiro Vivo teve acesso.

O sindicato, liderado por Ricardo Penarroias explica que foi comunicado à TAP que o documento apresentado "não transmite a confiança necessária para a sua ratificação, em virtude de vários anos de interpretações peregrinas da empresa".

"Esperamos que a administração e a tutela tenham entendido, que o resultado de ontem não advém somente do documento, mas de vários anos de interpretações unilaterais, que quebraram a confiança na administração", adianta a nota.

Depois das quatro horas de assembleia geral (AG) de associados, que resultaram num cartão vermelho dos tripulantes à proposta da TAP, o SNPVAC sublinhou estar ainda disponível para dialogar com a administração da empresa pública e, por isso mesmo, decidiu deixar a AG em aberto, podendo convocar a sua continuação com uma antecedencia minima de 24h, caso a TAP apresente uma nova proposta.

A TAP lamentou ontem a decisão dos trabalhadores e alertou para o forte impacto que os sete dias de greve, agendados para a próxima semana, entre 25 e 31 de janeiro, poderão ter. "Com esta nova paralisação serão cancelados 1316 voos e afetados 156 mil passageiros, o que representa um custo total direto estimado de 48 milhões de euros (29,3 milhões em receitas perdidas e 18,7 milhões em indemnizações aos passageiros). Prevêem-se também perdas de 20 milhões adicionais devido ao impacto potencial nas vendas para outros dias e à sub-optimização de outros voos, com passageiros reacomodados", detalhou a TAP em comunicado.

A empresa, liderada por Christine Ourmières-Widener, referiu ainda ter acedido a 12 das 14 reivindicações dos tripulantes, deixando dois pedidos de fora. Por um lado, o pedido de reconhecimento dos níveis de entrada e respetivos pagamentos (processo CAB0 - CAB1), a TAP diz não ter aceitado "devido a este tema estar atualmente a ser tratado em tribunal, havendo alguns casos já decididos a favor da TAP".

O SNPVAC exige ainda que seja adicionado um chefe de cabine nos aviões de longa distância (Airbus A330). A empresa não acedeu uma vez que esta medida "significaria vários milhões de euros, acrescidos ao esforço que já representam todos os pontos aceites, além de colocarem a TAP em desvantagem competitiva com os seus pares europeus que têm hoje menos um elemento também".