

Promover a reflexão sobre o papel fulcral que as cidades e comunidades desempenham no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Esse é o principal objetivo do BCSD ao elaborar um manual introdutório para empresas, orientado para as Soluções Baseadas na Natureza (SBN). Soluções que, segundo Helena Freitas, presidente do Conselho Consultivo do BCSD Portugal e reconhecida investigadora na área da biodiversidade, afirma que são uma fórmula muito eficaz de trazer a natureza para o centro da economia. Dito de outra forma, consiste num conjunto de ações que são facilmente incorporadas pela economia e que têm em vista uma transformação, recorrendo ao capital natural (da natureza).
“As SBN para que o sejam têm de trazer a natureza para a parte da execução e respeitar a biodiversidade”, explica Helena Freitas, que acredita que o benefício do recurso à natureza é percetível pela sociedade. E dá o exemplo das árvores, referindo que sabe-se que a sua presença contribui para uma melhoria da qualidade do ar. Há uma sensação empírica de que “a natureza tem funções”.
O que se pretende ao optar por uma estratégia de SBN é “acabar com uma relação conflituante” e “fazer com que a natureza seja uma parte ativa e determinante das novas soluções daquilo que desejamos que seja uma nova economia, capaz de se harmonizar com a natureza”.
Aliás, e segundo a Comissão Europeia, as SBN são “soluções que são inspiradas e suportadas pela natureza que, sendo economicamente eficientes, proporcionam simultaneamente benefícios ambientais, sociais e económicos, contribuindo para a resiliência. Tais soluções trazem mais diversidade, elementos e processos naturais a cidades, paisagens terrestres e marinhas, através de intervenções sistémicas, localmente adaptáveis, e eficientes em termos de recursos.” Há mais definições (de outras entidades), mas todas elas têm três elementos em comum: as ações são baseadas na natureza - envolvendo a conservação, gestão sustentável ou restauro de recursos naturais; apresentam valor para a sociedade - abordam desafios societais (por exemplo perda de biodiversidade, alterações climáticas, etc.); e potenciam (e conservam) a biodiversidade e os serviços de ecossistema.
Mas, na prática, como é que isto funciona? É precisamente para responder a esta questão que o BCSD resolveu criar o manual “Como implementar na sua empresa soluções baseadas na natureza”, que tem como objetivo funcionar como um referencial de propostas, de base técnico-científica, para ajudar as empresas que estão a trabalhar a matéria da sustentabilidade.
Uma espécie de manual de boas práticas que sistematiza um conjunto de soluções que pode, facilmente, ser implementado pelas empresas. Aliás, a instituição refere que o manual esclarece sobre as diferentes definições e tipologias, apresentando exemplos concretos de oportunidades e desafios que podem surgir na conceção, implementação e monitorização de soluções, apoiado na Norma Global da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) para SBN.
Numa primeira fase é normal que as empresas que fazem parte do universo do BCSD sejam as que mais facilmente acedam e trabalhem o manual. Mas não deveria ser também distribuído pelas autarquias que efetivamente trabalham as cidades? A resposta, para Helena Freitas, é que, na verdade, as SBN deverão ser usadas por toda a sociedade. E refere que está a ser usada por entidades internacionais. A presidente do Conselho Consultivo do BCSD Portugal dá como exemplo a União Internacional para a Conservação da Natureza “que tem feito um trabalho notável na sistematização de soluções que servem aos diferentes atores, stakeholders, que podem trabalhar essas soluções e implementá-las”.
Mas há algo que é importante referir e que está bem vincado no manual. As Soluções Baseadas na Natureza são diferentes de soluções derivadas da natureza e de soluções inspiradas pela natureza. Enquanto as primeiras usam os ecossistemas funcionais existentes como base das soluções, as segundas não são baseadas diretamente nos ecossistemas (por exemplo, energia eólica, das ondas ou solar). As últimas representam design, inovação e produção de materiais, estruturas e sistemas modelados em processos biológicos (por exemplo, biomímica - imitação de estratégias utilizadas na natureza).