Vamos fazer de Sara Sampaio o busto da nossa República!

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Não é uma brincadeira de Natal, acho mesmo!, devíamos fazer um daqueles abaixo-assinados pela internet a pedir um novo busto da República, generoso e belo, com a modelo Sara Sampaio.

Eu não percebo nada de escultura, mas ofereço-me desde já para ajudar de qualquer maneira, a fazer qualquer coisa, nem que seja a tirar medidas!

Um Estado, uma nação, um país, pode e deve ter todas as representações que os portugueses num determinado momento histórico quiserem e se identificarem.

Em França, o busto da República, Marianne de seu nome, já mudou variadíssimas vezes desde 1944. Há actualizações periódicas, já foram jovens francesas famosas como a sex symbol Brigitte Bardot (1968), a cantora Mireille Mathieu (1978), a inesquecível Catherine Deneuve (1985), a modelo Inès de la Fressange (1989); e a minha preferida, coisas da juventude, desculpem!, a actriz Laetitia Casta (2000). Mas houve algumas mais...

Aqui no nosso rectângulo, no Centenário da República, o escultor João Cutileiro (provocador nato, autor do jorrante falo no cimo do Parque Eduardo VII), também propôs mudar o nosso busto da República. Achava que já tinha perdido a juventude a imortalização de Ilda Pulga, natural de Arraiolos, que morreu em 1993, com 101 anos; esculpida por Francisco dos Santos (1878-1930).

Num dos grandes prazeres que tive na vida, conversei demoradamente com António Alçada Baptista, o saudoso escritor que propôs num belo discurso de 10 de Junho, em 1997, a mudança do nosso hino nacional. Ele dizia-me: «Duarte, esquece, o que eu quero é, sobretudo, que as pessoas pensem, aceitem mudanças, achas que como povo temos alguma coisa a ver com o «às armas, às armas, às armas»?

Dino d"Santiago, um português que traz consigo essa força de que "ser português" pode ser muitas coisas distantes, também propôs um hino menos bélico, que não incentive guerras.

E convenhamos, é parvo gritar «às armas», a quais armas se referem? Podem ser as devolvidas em Tancos? Vamos lá, e para que serve gritar "contra os canhões» se agora, para partir tudo, são usados mísseis e coisas ainda mais sofisticadas?

A mudança de símbolos nacionais, devia ser uma constante, como mudam os povos e a sua história; porque não há portugueses, vai havendo portugueses, somos uma multiplicação de camadas de povos e culturas mais altas que uma bebinca!

Vem tudo isto a propósito da mudança que o Governo realizou no logótipo da nossa República, que segundo o seu autor, a intenção era fazer um logótipo mais "inclusivo, plural e laico"; e à conta dessa intenção o seu autor, Eduardo Aires, já teve ameaças à sua integridade física e teve que pedir protecção policial para si e para a sua família.

Confesso que me estou nas tintas para o símbolo que a nossa República põe no cimo dos papéis, até porque este devia periodicamente ser mudado...

Tal como a nossa bandeira já mudou inúmeras vezes nos nossos 880 anos de história; e as representações simbólicas que nela constam também. E mais interessante, ao longo dos anos, essas representações também já tiveram diferentes interpretações no seu significado; as cores já representaram diferentes coisas; os castelos e os escudos também já tiveram diferentes significados atribuídos.

Como dizia aquele que dizem ser o nosso maior poeta, Camões (e desculpem o à parte, mas como sou do contra, para mim o nosso maior poeta é Fernando Pessoa!); vamos lá, como dizia o Luís Vaz de Camões «o mundo é composto de mudança»!

E quanto a Sara Sampaio? Por ser minha a proposta, e dado a minha profunda admiração e interesse numa eventual mudança, se todos aceitarem, posso ser eu mesmo a fazer pessoalmente o contacto.

(O autor escreve segundo a antiga ortografia)

("Até às eleições" é o mote para uma sequência de artigos de opinião, de segunda a sexta-feira, de Duarte Mexia (duarte.mexia@gmail.com), que serão publicados, precisamente, até à realização das próximas eleições Legislativas, marcadas para 10 de março.)

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