Venda da posição da Galp no Rovuma aos árabes da ADNOC com luz verde da concorrência

A Galp chegou a acordo com a petrolífera dos Emirados Árabes Unidos ADNOC para a venda da sua posição no consórcio que pesquisa gás natural na bacia de Rovuma, em Moçambique, por 586 milhões de euros.
Venda da posição da Galp no Rovuma aos árabes da ADNOC com luz verde da concorrência
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A Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC) moçambicana não se opõe à venda da posição da Galp do consórcio que pesquisa gás natural no Rovuma aos árabes ADNOC, negócio de 586 milhões de euros, após consulta pública à operação.

“Após apreciação jus-concorrencial da presente operação entre as empresas ADNOC International Limited e Galp Energia Rovuma B.V., nos termos em que foi notificada, o conselho de administração da Autoridade Reguladora da Concorrência (…) delibera unanimemente adotar a decisão de não oposição à presente operação de concentração”, lê-se na deliberação publicada hoje pela ARC.

O regulador acrescenta que da análise, que incluiu uma consulta ao Instituto Nacional de Petróleo (INP), concluiu que a concentração “não afetará a estrutura dos mercados de extração e liquefação do gás natural, nem da venda a grosso de GNL”.

A ARC abriu em 03 de junho uma consulta pública à operação de venda da posição da petrolífera portuguesa Galp do consórcio que pesquisa gás natural no Rovuma à ADNOC.

A operação em causa consiste na aquisição pela ADNOC International, filial detida em 100% pela Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC), do “controlo exclusivo sobre a Galp Energia Rovuma”, atualmente detida pela Galp Energia, Portugal Holdings e pela Galp East África, “conjuntamente as vendedoras”.

A ADNOC International é uma sociedade constituída em Abu Dhabi, filiada e detida em 100% pela ANDOC PJSC, “empresa mãe de um grupo diversificado, detido em 100% pelo Emirado de Abu Dhabi”, estando presente no setor da energia e petroquímica e que “opera em toda a cadeia de valor de hidrocarbonetos, através de uma rede de sociedades totalmente integradas”, explica a ARC.

O INP considerou em 23 de maio como normal a saída da Galp do consórcio que pesquisa gás natural no Rovuma, avançando na altura que a petrolífera portuguesa ainda teria de comunicar formalmente a decisão às autoridades.

“Não é algo extraordinário, as concessionárias estão livres de fazer negociação direta ou indireta” sobre as suas participações em consórcios, afirmou o presidente do INP, Nazário Bangalane.

“Nas reuniões que temos tido com a Galp, houve essa pretensão. Contudo, tem procedimentos. A companhia portuguesa vai submeter oficialmente o processo, para ser analisado ao nível do Governo e aí vamos saber os reais valores [envolvidos na operação]”, prosseguiu.

A Galp chegou a acordo com a petrolífera dos Emirados Árabes Unidos ADNOC para a venda da sua posição no consórcio que pesquisa gás natural na bacia de Rovuma, em Moçambique, por 586 milhões de euros.

Em comunicado anteriormente enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Galp anunciou que iria alienar a sua participação de 10% na Área 4 em Moçambique, uma operação que deverá estar concluída até ao final do ano, dando seguimento à estratégia “disciplinada” de investimento.

“A Área 4 inclui o Coral Sul FLNG [sigla em inglês que identifica a plataforma flutuante], a operar desde 2022, bem como os desenvolvimentos ‘onshore’ nos prospetivos Coral Norte FLNG e Rovuma LNG, ambos com previsão de aprovação em 2024/2025”, referiu no documento.

A empresa deverá receber 650 milhões de dólares (586,7 milhões de euros) pelas suas ações e empréstimos de acionistas, já líquidos de impostos sobre os ganhos de capital.

O acordo prevê ainda “pagamentos contingentes adicionais de 100 milhões de dólares [90,2 milhões de euros] e 400 milhões de dólares [361 milhões de euros] com a decisão final de investimento do Coral North e do Rovuma LNG, respetivamente”.

A Área 4 é operada pela Mozambique Rovuma Venture (MRV), uma 'joint venture' em copropriedade da ExxonMobil, Eni e CNPC (China), que detém 70% de interesse participativo no contrato de concessão.

A Galp, Kogas (Coreia do Sul) e a ENH - Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (Moçambique) detêm cada uma participação de 10%.

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