Vila Galé fecha 2022 com receitas de 135 milhões de euros

Grupo conseguiu aumentar em 18% as receitas, face a 2019. Este ano, o salário mínimo dos colaboradores passa para 900 euros, sendo o aumento dos vencimentos de 11%, em média.
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O ano passado foi de excelência para o grupo hoteleiro Vila Galé. Apesar das previsões menos boas de Gonçalo Rebelo de Almeida, no início de 2022, o ano acabou por ser uma "agradável surpresa" com o grupo a conseguir receitas na ordem de 135 milhões de euros em Portugal (números que incluem já os hotéis que abriram durante o ano passado).

O que representa 18% acima da receita de 2019. Excluindo as três novas unidades hoteleiras que iniciaram funções durante a pandemia e também o hotel de Elvas, que em 2019 só funciou alguns meses, o grupo conseguiu um crescimento de 12% face ao ano pré-covid, explicou o administrador do Vila Galé.

Ao todo, foram vendidas um milhão de noites (974 mil, exatamente), o que significa dois milhões de dormidas e cerca de 670 mil clientes que passaram pelos hotéis Vila Galé, em Portugal.

Como refere Gonçalo Ribeiro de Almeida, que falava durante a apresentação dos resultados do grupo, o número de clientes portugueses e contrariando as expetativas dos responsáveis do grupo, cresceu face aos três anos anteriores, o que faz com que este "seja de longe o nosso principal mercado". "As dormidas representam 44% do total e os clientes representam 53% do total", explica, aquele responsável. Em segundo lugar está o mercado do Reino Unido (14%), seguindo-se, a Alemanha (7%), a Espanha (5%) e a França (4%). Os clientes brasileiros representam 3% do total e os americanos 2%.

"Basicamente tudo voltou ao que era. Todos os fatores que fizeram com que Portugal tivesse sucesso - do ponto de vista de crescimento turístico - nos anos pré-pandemia, continuaram válidos pós pandemia", afirmou Gonçalo Ribeiro de Almeida, explicando que o clima, a paisagem natural, a história e os monumentos, a gastronomia e as pessoas, entre outros não se degradaram, mantendo-se como escolhas dos turistas.

Já no que à inflação diz respeito, o grupo implementou um aumento médio de 14% nas estadias, tendo Gonçalo Ribeiro de Almeida explicado que o cabaz alimentar subiu 22% e que a fatura do gás duplicou. Por seu turno, os custos com a água aumentaram 8%.

Ao todo no grupo Vila Galé, em Portugal, trabalham cerca de 1350 pessoas que vão ter os seus salários aumentados este ano. O aumento será em média de 11%, o que significa um investimento de cerca de 4500 milhões de euros. Conforme detalharam Gonçalo e Jorge Rebelo de Almeida, quem aufere um salário mais baixo, terá um aumento maior para que haja uma maior aproximação salarial entre colaboradores.

Paralelamente, o salário mínimo do grupo vai passar a ser de 900 euros. Com estes ajustes, o grupo quer contribuir para "progressivamente subir o vencimento médio praticado e reforçar os benefícios dados aos colaboradores", explica ainda em comunicado.

Os colaboradores Vila Galé têm seguro de saúde, prémios anuais de produtividade, planos de formação contínua ou bolsas de apoio à educação. E, auferem ainda de uma redistribuição dos resultados alcançados no ano passado.

São 10 os hotéis que o grupo Vila Galé tem no território brasileiro e que em 2022 obtiveram receitas de 464 milhões de reais (o que equivale a 83 milhões de euros de receita de acordo com uma taxa de câmbio de 1 euro = 5,6 reais). Um crescimento de 25%, quando comparado com 2019.

Não levando em conta as duas novas unidades de São Paulo e Alagoas (o primeiro inaugurado em plena pandemia e o segundo desde junho do ano passado), o grupo viu o seu volume de negócios crescer 14% no Brasil, o que equivale a 423 milhões de reais.

Como explica a empresa hoteleira, ali "registaram-se 568 mil quartos ocupados e 1,35 milhões de dormidas e 324 mil clientes. Brasil (93%), Argentina (2%) e Portugal (1,5%) são os três principais mercados emissores no total de dormidas".

Durante este ano, o grupo Vila Galé vai abrir quatro novos hotéis em Portugal. Em Beja, e já para abril, vai inaugurar o Vila Galé Monte do Vilar, um agroturismo vocacionado para adultos e casais e para a realização de eventos. Nesta unidade foram investidos quatro milhões de euros.

Também em Beja e próximo da Unidade Monte Vilar, os mais novos vão ganhar um hotel especial. O Vila Galé Nep Kids resulta de um investimento de 10 milhões. Neste espaço, com a abertura prevista para o final de maio, os adultos só poderão entrar quando acompanhados por crianças. Todo o hotel foi pensado para os mais pequenos, que vão usufruir de várias piscinas exteriores e escorregas, carrossel, trampolins, insufláveis, clube nep com brinquedoteca e spa infantil, entre outros.

Nos Açores vai abrir o Vila Galé Collection São Miguel, com 92 quartos. Esta unidade de charme, que deve abrir em maio, resulta de um investimento de 12 milhões de euros.

E, em Tomar, vai abrir em julho, uma unidade resultante da recuperação e transformação de várias áreas do antigo Convento de Santa Iria e do Colégio feminino. Com 100 quartos, esta unidade custou mais de 10 milhões de euros.

Para estas unidades, o grupo vai contar com 150 novos colaboradores e ao todo foram investiu entre 35 a 40 milhões de euros.

E, para os hotéis existentes, o grupo Vila Galé prevê investir cinco milhões de euros em renovação das unidades que já existem.

No Brasil três novos projetos, com lançamento do primeiro Vila Galé Collection no Cumbuco, numa frente de mar e da Lagoa do Cauipe.

Questionado sobre a situação da transportadora aérea nacional, Jorge Rebelo de Almeida não quis comentar muito a fundo o assunto. No entanto deixou um lamento. "Faz-me pena a falta de jeito com que a TAP foi gerida. Não quero ser injusto, porque não conheço a situação em pormenor. Não sei se a culpa era do ministro que lá estava. Mas que a TAP não tem sido bem gerida, não tem". E acrescenta ainda: "a TAP é uma coisa bonita. Não sei se a conseguimos manter, mas Portugal para o ano não pode injetar dinheiro na TAP, a União Europeia não deixa. Não sei se a vamos aguentar. Resultado? Mesmo com a privatização não foi maravilhoso. Mas a TAP vai ser difícil de manter, se calhar é melhor a privatização", considera.

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