A sexta edição presencial da Web Summit começa hoje e, um ano depois de uma das maiores cimeiras tecnológicas ter alcançado a paridade de género pela primeira vez, o evento conta em 2022 com 400 startups fundadas por mulheres. Um terço dos oradores são também do género feminino. Além disso, Lisboa andará nos radares de outros países interessados em saber o que ocorre no evento. É o caso de Brasil e França, que terão cá grandes comitivas empresariais. São esperados cerca de 70 mil pessoas no evento - a maioria vem do Reino Unido, Alemanha e Brasil. A cimeira vai decorrer, tal como nas outras edições, na Altice Arena e nos pavilhões da FIL, entre 1 e 4 de novembro.
"Este ano, quase 400 startups fundadas por mulheres vão participar na conferência e aproximadamente 33% dos oradores também são mulheres", revela ao Dinheiro Vivo fonte oficial da Web Summit. A mesma fonte lembra que na edição de 2021 aquela que é uma das maiores feiras de tecnologia do mundo "atingiu a paridade de género, pela primeira vez - 50,5% de mulheres participantes e 49,5% de homens participantes".
Os dados estatísticos relativos aos participantes da edição de 2022 só serão conhecidos no final do primeiro dia da conferência, mas a assumindo o crescente peso do sexo feminino entre empresários e oradores, as mulheres ganham cada vez mais relevância no setor tecnológico.
Entre os oradores no feminino, por exemplo, destacam-se as participações das portuguesas Daniela Braga (CEO da Defined.ai e uma das conselheiras do presidente dos EUA, Joe Biden, para a área da Inteligência Artificial), Ana Figueiredo (CEO da Altice Portugal), Cristina Ferreira (acionista da Media Capital e diretora de entretenimento e ficção da TVI), e da francesa Christine Ourmières-Widener (CEO da TAP). Vindas lá de fora, evidenciam-se os nomes da norte-americana Meredith Whittaker (presidente da rede social Signal), da francesa Maëlle Gavet (CEO da Techstars, sociedade de investimento e desenvolvimento de startups), de Roxanne Varza (diretora da francesa Station F, maior campus de startups do mundo) ou de Marisa Lago (subsecretária do Departamento do Comércio dos EUA para o comércio internacional).
Ainda que a estatística só seja conhecida no final do primeiro dia do evento, Paddy Cosgrave já revelou na sua conta de Twitter que a maioria dos participantes provém do Reino Unido, Alemanha e Brasil. O líder da Web Summit destacou ainda que a Ucrânia é o sexto país mais representativo entre os participantes. E realçou que Holanda e Polónia superam este ano a França na lista da representatividade.
A Web Summit vai trazer a Portugal delegações de empresários, investidores e políticos, que procurarão compreender como podem aproveitar, nos respetivos países, a atmosfera empreendedora criada na capital por estes dias. É o caso do Brasil, que em maio de 2023 terá um evento regional da Web Summit no Rio de Janeiro.
Através da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), vão à Web Summit de 2022 60 startups e 20 empresas brasileiras. É "a maior participação de sempre" do Brasil no evento, tendo em vista a internacionalização destes cerca de 80 negócios (desde fintechs, agritechs, healthtechs, passando pela Inteligência Artificial até à biotecnologia). Esta iniciativa é complementar ao que o Sebrae (entidade brasileira homóloga do português IAPMEI) tem vindo a fazer - que já ajudou 280 empresas brasileiras a entrar no mercado português este ano.
França é outro país que preparou uma "missão" empresarial para a Web Summit. De acordo com um comunicado da Embaixada da França, marcará presença na Web Summit deste ano uma delegação de 24 startups e 50 empresas gaulesas, apoiadas pela Business France. Objetivo? "Encontrar potenciais clientes e investidores", lê-se na informação enviada à redação.
Espanha também estará atenta à Web Summit e, tal como Brasil e França, terá um pavilhão e programas próprios. Aliás, o Dinheiro Vivo sabe que Francisco Polo, do Alto Comissariado de Espanha para a Nação Empreendedora, viria à Web Summit, mas a viagem acabou por ser cancelada. Espanha tem trabalhado numa estratégia nacional para o ecossistema empreendedor, incluindo legislação específica para startups, estando interessada em perceber o que está a acontecer em Lisboa.
A Web Summit começa esta terça-feira e prolonga-se até sexta-feira. Além dos 70 mil participantes, marcam presença 2630 startups e empresas, 1120 investidores e 1040 oradores.
A sétima edição da cimeira tecnológica arranca numa altura em que o governo promete aprovar, até ao fim do ano, um quadro legal específico para as startups e dias depois da autarquia de Lisboa lançar a propalada Fábrica de Unicórnios, localizada no Hub Criativo do Beato.
Tal como Paddy Cosgrave, cofundador da Web Summit, garantiu ao Dinheiro Vivo no último sábado, a organização não pretende sair de Lisboa depois de 2028, quando termina o acordo com o governo. E a Fábrica de Unicórnios pode vir a ser a nova casa da organização.
Este ano, a Carris, Metro de Lisboa e CP vão disponibilizar um passe especial para os participantes chegarem ao evento. Já a Altice Portugal assegura as telecomunicações do evento, garantindo capacidade para "suportar mais de 150 000 dispositivos" em simultâneo no recinto.
Com Filipa Quito