A organização cresce, o negócio acelera e as receitas espelham os resultados. A faturação do Wygroup cresceu a dois dígitos em 2020 e 2021 e a previsão para 2022 é superar a barreira dos 30 milhões de euros de receita, com um terço a provir já hoje de fora de Portugal. Ao mesmo tempo, os recursos humanos dão um salto: hoje há 350 profissionais para oito empresas especializadas em diferentes dimensões da comunicação e o objetivo é fechar o ano com o recrutamento de mais 70 talentos, pelo menos. Este grupo 100% português tem no horizonte a meta de se afirmar cada vez mais como uma multinacional, sempre com a Casa da Praia (o escritório de Oeiras) no centro das decisões. De Portugal para o mundo, é a ambição.."Somos uma empresa um bocadinho diferente daquilo que existe no mercado português", afirma João Santos, chief operating officer (COO) do grupo criado há 21 anos, em conversa com o Dinheiro Vivo, na sede do Wygroup, em Oeiras, localizada à beira da Marginal e com vista para a praia de Santo Amaro e o Farol do Bugio. "Ao contrário das outras multinacionais que, quando se instalam cá, vêm trabalhar contas internacionais no mercado local, nós trabalhamos de Oeiras para o mundo", argumenta..A companhia apresenta-se como um misto de consultora e agência de comunicação, operando em cinco áreas através de oito empresas. A By, a White Way, a Fever, a Nervo e a Bloomcast atuam na Criatividade. A Bliss Applications serve a Tecnologia, enquanto a Performance Sales foca-se em Dados e Media. O Wygroup também trabalha na área da Educação e Conhecimento, após a recente aquisição da Lisbon Digital School (LDS), depois da prematura morte de Virgínia Coutinho, referência do marketing digital português e fundadora da LDS..O Wygroup controla um ecossistema de comunicação empresarial relevante, em Portugal, integrando serviços de consultadoria, estratégia de marca e comunicação. Por cá, serve os gigantes nacionais Sogrape, Amorim, Lactogal, EDP ou Sociedade Central de Cervejas. "São cerca de 220 clientes" em território nacional, segundo o gestor..Além da Casa da Praia, há ainda um escritório no Porto e outro em Boston, nos Estados Unidos. O mercado norte-americano é "o principal mercado fora de Portugal", servindo gigantes como a AON, o Bank of America. Para provar a lógica que o grupo trabalha de Oeiras para o mundo, João Santos revela que "um terço da produção é exportação". Fora de Portugal o grupo tem cerca de duas dezenas de clientes..Mesmo com a pandemia os negócios do Wygroup aceleraram e, por isso, acredita-se que há espaço para crescer ainda mais, aprofundando projetos e unidades de negócio sobretudo nas áreas de tecnologia e de dados. Terão sido essas áreas a permitir uma melhoria dos resultados..Futuro passa pelos dados.Em 2020, as receitas cresceram 20%, em termos homólogos, para mais de 16 milhões. "No ano seguinte, voltamos a impulsionar os resultados e o volume de faturação", acrescenta. A receita crescera 56%, para cerca de 27 milhões de euros. Para 2022, o COO do Wygroup estima que o volume de negócios chegue à barreira dos 30 milhões de euros..João Santos salienta que o contexto pandémico foi "um amplificador de necessidades de digitalização e de mudança de alguns modelos de negócio" e, nesse sentido, o grupo conseguiu "responder muito bem nessa transição digital e na busca de novos modelos de negócio"..O gestor regista que a Bliss Applications representa a "área de crescimento mais acelerado, com um desenvolvimento nacional e internacional muito apreciável", a par da Performance Sales. "São áreas que mais facilmente se internacionalizam e ganham volume", acrescenta..Ao mesmo tempo que o grupo respondia às exigências conseguia reforçar os recursos humanos. "Em janeiro de 2021, éramos 270, hoje somos 350 e temos planos para chegar a dezembro deste ano com entre 420 e 430 talentos", nota. Ou seja, para continuar a acompanhar o crescimento do negócio, o Wygroup quer contratar, pelo menos, mais 70 profissionais em 2022..Em janeiro já entraram 23 pessoas, e já há mais 26 vagas em aberto. O reforço será feito principalmente nas áreas de tecnologia e de dados. "São as áreas que mais necessitam de talento" e também aqueles que "mais facilmente exportam e têm aceitação noutros países", reforça o COO do Wygroup..O gestor indica que a economia dos dados ainda não é uma realidade, mas que há muito potencial de futuro, se as empresas conseguirem "relacionar o negócio com os dados da atividade". Essa ligação, sublinha, pode ser uma vantagem, permitindo antecipar passos ou até "fazer grande uma pequena empresa". Os dados podem "refinar negócios e criar outras tipologias de produtos ou de análises ao negócio". "A oportunidade existe para todos", sublinha, e "pode fazer a diferença", sobretudo nas pequenas e médias empresas (PME) nacionais..Criar uma "estrutura digital e estrutura de conhecimento" tem de ser o caminho para as empresas, defende João Santos. "Conhecimento só se faz com dados" e isso pode ser uma "alavanca" para o futuro..O salto do sapo.Mas para isso acontecer em Portugal, a captação e retenção de talento é um desafio a superar. "Por uma simples razão: o nível salarial em Portugal ainda é relativamente baixo. É fácil para as grandes empresas virem comprar talento a Portugal, e até deixarem-no a trabalhar em Portugal para outras geografias", esclarece..No caso do Wygroup, a maior capacidade de empresas internacionais recrutarem no país também se faz notar. Ainda assim, o grupo regista uma média de 3,8 anos de permanência de um trabalhador na empresa. Mas para encontrar respostas às necessidades, a empresa já teve de ir recrutar no Brasil. Segundo João Santos, "cerca de 30 pessoas" foram contratadas no Brasil. A próximidada e da língua justifica a alternativa..Mas a afirmação leva a conversa para a competitividade das empresas e para o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Diz João Santos que hoje a transição digital representa "uma oportunidade magnífica", prevendo que é improvável que se repita num futuro próximo. Mas para isso é preciso haver capacidade. O problema não está nos grandes players, mas nas PME que precisam de se posicionar..Como se faz isso? "Pensando rapidamente e utilizando corretamente os modelos que estão à disposição do PRR para a digitalização, não em modelos básicos mas naqueles que façam a diferença. Não podemos perder tempo a discutir se fazemos uma loja online, temos que fazer modelos de investigação profunda que diferenciem as empresas portuguesas de uma vez por todas", responde.."Há uma fuga de talentos nacionais", realça. E as "empresas portuguesas, que hoje não estão disponíveis e não estão a valorizar a oportunidade que hoje têm de rapidamente capitalizarem o talento que está em Portugal e que pode ser um acelerador de modelos digitais", vão enfrentar uma "barreira à competitividade", um "mercado de escassez de talento nacional".."Temos de ser capazes de dar o salto do sapo, como dizem os norte-americanos. Podemos estar parados e fazer as coisas devagarinho ou podemos concentrar energia nas nossas pernas para darmos o salto lá mais para a frente. Em termos digitais, aquilo que a economia portuguesa necessita é dar esse salto do sapo", conclui, defendendo que o PRR permite esse movimento de futuro. "Este é o momento e a oportunidade da economia portuguesa conseguir fazê-lo", afirma.