

A Movilex, empresa de gestão, tratamento e recuperação de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (REEE), prepara-se para realizar um investimento de 14 milhões de euros com o objetivo de reforçar a capacidade industrial, otimizar processos e melhorar a eficiência operacional e sustentabilidade da sua operação global, revelou Luis García-Torremocha, CEO do grupo espanhol. A fábrica do Porto, uma das seis do grupo na Península Ibérica, está contemplada neste plano de investimento.
Segundo adiantou ao DV Luis García-Torremocha, a unidade do Porto "continuará a incorporar melhorias destinadas a aumentar a capacidade de tratamento, reforçar a automação de determinados processos e continuar a elevar os padrões de rastreabilidade, valorização e eficiência energética, especialmente em fluxos de maior complexidade técnica". No entanto, não forneceu mais informação sobre o projeto de investimento.
No ano passado, a fábrica do Porto foi responsável pelo tratamento de mais de 7000 toneladas de resíduos tecnológicos, o maior volume de atividade desde 2022, quando o grupo espanhol adquiriu a unidade. De acordo com Luis García-Torremocha, "este valor representa mais do dobro em relação a 2023, o primeiro ano completo da Movilex com esta fábrica".
Como justificou, o crescimento registado em 2025 na fábrica do Porto deveu-se à adjudicação de novos contratos por parte das principais entidades de gestão de REEE em Portugal. "Estes contratos incluem os lotes de maior complexidade técnica: televisores, ecrãs planos, grandes eletrodomésticos e lâmpadas fluorescentes", explicou.
A Movilex assinou inclusive um contrato na categoria das lâmpadas fluorescentes, em que "foi o único operador com capacidade técnica certificada para concorrer", sublinhou o responsável. A adjudicação de projetos deste género "consolida a nossa posição como um dos principais operadores no tratamento deste tipo de resíduos em Portugal", frisou.
O grupo, que tem presença em Espanha, Portugal, Uruguai e Panamá, começou a trabalhar o mercado português através de acordos de colaboração com operadores locais para dar resposta a determinados fluxos de REEE. Em 2022, adquiriu a fábrica no Porto numa estratégia de consolidação na Península Ibérica. O objetivo foi reforçar a "capacidade de tratamento e dar cobertura direta ao mercado português em fluxos complexos de REEE", afirmou.
Essa aposta no Porto foi acompanhada "pelo reforço da capacidade operacional, pela expansão das linhas de tratamento e pelo aumento do número de colaboradores, que passou de 12 profissionais em 2022 para 42 em 2025".
Segundo Luis García-Torremocha, o tratamento dos resíduos tecnológicos permite recuperar materiais como ferro, alumínio, cobre, vidro, plásticos técnicos e diferentes metais presentes em componentes eletrónicos, além de assegurar a descontaminação adequada de elementos potencialmente perigosos, como gases refrigerantes, mercúrio ou fósforo.
Como explicou, "no caso das lâmpadas fluorescentes, recuperam-se materiais como vidro e metais, além de se gerir de forma segura o mercúrio; dos ecrãs planos e tubos CRT separa-se vidro tratado, plásticos e componentes eletrónicos; e dos grandes eletrodomésticos, são recuperados principalmente metais ferrosos e não ferrosos".
Após o processo de tratamento, os materiais "são reintroduzidos como matérias-primas secundárias em cadeias industriais, o que contribui para reduzir a extração de recursos naturais e promover um modelo de economia circular mais eficiente", sublinhou Luis García-Torremocha.
A nível global, a Movilex fechou o exercício de 2025 com quase 70.000 toneladas de REEE tratados, um crescimento de 27% em relação ao ano anterior, mantendo uma taxa de valorização superior a 98,7%.
De acordo com Luis García-Torremocha, a empresa opera em quatro países (já referidos), mas o principal foco industrial está concentrado na Península Ibérica, onde tem seis estações de tratamento e uma rede logística. No total, conta com uma equipa de mais de 200 profissionais.