Fazer história!

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Na semana passada, a Associação Empresarial do Minho, com o apoio da Câmara de Esposende, organizou um debate com um tema claro: “O aeroporto de Lisboa e a Linha de TGV”. Como deve ser, a organização convidou um especialista, no caso Frederico Francisco, ex-secretário de Estado das Infraestruturas, para fazer o enquadramento do assunto, encargo que se ouve de forma exemplar (na net encontrará outras apresentações semelhantes; procure; vale a pena: aprende-se!). 

Para um economista, foi reconfortante a forma como articulou as várias opções em termos do binómio “oferta-procura”. Para efeitos deste escrito, escolhi o que podem parecer três pormenores: os 1,6 milhões de passageiros anuais que se estimam para a linha de TGV Lisboa-Madrid são, surpresa!, semelhantes aos que usam a linha Porto-Vigo, onde a viagem de 170 quilómetros demora mais de 2 horas a fazer! Quando se olha para o povoamento das regiões que as duas linhas vão servir, não parece difícil antever qual delas tem a maior probabilidade de angariar novos públicos... Ainda assim, tem sido um calvário fechar um calendário credível para a sua construção. 

Em questões de prioridades, porém, o tratamento dado à nova linha Porto-Lisboa envergonha: Portugal arrisca-se a ser um dos poucos países europeus onde as duas principais cidades não estão ligadas por alta velocidade, o que se torna tanto mais difícil de entender quanto a mesma tem um público potencial que é mais de 10 vezes superior a qualquer das outras e a distância entre as duas cidades é quase a que confere mais vantagens ao comboio.

Quanto à ferrovia, resta (um resto grande!) a questão das mercadorias que alguns “entendidos” já viam resolvida pelo TGV Lisboa-Madrid. É tempo de os agentes políticos, económicos e sociais se fazerem ouvir, mais a mais, dado o potencial em termos de desenvolvimento regional e “deslitoralização”.

Por fim, quanto a Alcochete, ao seu modelo fechado, de 2 a 4 pistas, e ao encerramento da Portela: parece que não há histórico de desativação de um aeroporto. Vamos fazer história!

Alberto Castro, economista e professor universitário