"A Madeira é a nossa Grécia"

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O economista Sandro Mendonça considerou hoje que "a Madeira é a Grécia da república portuguesa", afirmando que a descoberta de novos 'buracos' nas contas do arquipélago põe em causa a sua autonomia "ao ser incapaz de gerir as suas contas".

"É possível que a Madeira seja vista como a Grécia da república portuguesa e o Governo tem que ser capaz de assegurar a soberania nacional como um todo", defendeu o docente da ISCTE - Business School, considerando que "a região autónoma da Madeira acaba de pôr em causa a sua própria autonomia ao ser incapaz de gerir as suas contas, de assegurar o mínimo de lealdade em relação às instituições do governo da República".

Em declarações à Agência Lusa, no dia em que o Instituto Nacional de Estatística e o Banco de Portugal acusaram a Administração Regional da Madeira de ter omitido informação relativa às suas contas públicas, Sandro Mendonça considerou que "os técnicos da 'troika' vão ficar ainda mais circunspectos sobre a natureza da governação de Portugal".

"Vão dizer que há mais fontes de risco dentro do nosso país, que há pontos de fuga de que não estavam à espera. Se o colapso da Grécia produz efeitos de contágio, o que nos garante que a falta de disciplina da Madeira não tenha para nós efeitos de contágio", questionou.

O economista, especialista em inovação, competitividade e crescimento económico, advogou que "o Governo tem que conceber a ideia de ter uma presença mais próxima das contas regionais, o que pode passar por uma 'troika' portuguesa nas regiões autónomas", porque "não é concebível caminhar de surpresa em surpresa".

"Não é sustentável a nível nacional estarmos todos a passar por um momento de grande austeridade e não haver solidariedade das regiões em relação ao continente. No mínimo, estamos a assistir a uma quebra de solidariedade", declarou.

O défice orçamental de Portugal de 2008, 2009 e 2010 vai ter de ser revisto devido a um buraco nas contas da Madeira descoberto apenas nas últimas semanas pelo INE e Banco de Portugal.

De acordo com uma nota do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Banco de Portugal (BdP), isto deve-se porque estas duas entidades, responsáveis por apurar as contas nacionais, recebeu informação nas últimas semanas que dão conta de vários encargos da madeira por registar desde 2003, e acordos de regularização de dívidas que a Administração Regional da Madeira não enviou, como é obrigada, às duas entidades.

O impacto estimado no défice de 2008 é de 139,7 milhões de euros (0,08% do PIB), em 2009 de 58,3 milhões de euros (0,03% ) e em 2010 915,3 milhões de euros (0,53% ).

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