Artur Santos Silva: "Gulbenkian tem 1600 milhões investidos. Bolsas são uma condicionante"

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A incerteza e volatilidade nos mercados financeiros são fatores

que condicionam muito a atividade da Fundação Calouste Gulbenkian.

O alerta foi feito pelo novo presidente. Artur Santos Silva lembra

que a instituição tem 1600 milhões de euros aplicados nos mercados

financeiros e que a instabilidade nas bolsas "não deixa de ser

uma condicionante".

Em declarações aos jornalistas, depois da

tomada de posse, o novo presidente da Gulbenkian sublinha contudo que

a instituição tem uma estratégia de longo prazo e que os

investimentos no setor do gás e petróleo têm permitido equilibrar

a instabilidade nos mercados financeiros. A estratégia de gestão do

património da Fundação deverá para já manter-se: "Não é

altura para alterações dramáticas", diz.

Foi graças às operações de exploração de petróleo e gás

natural que os ativos totais da fundação cresceram 3% em 2011 para

3019 milhões de euros. No mesmo período, o património líquido

reforçou-se em 89,7 milhões de euros para os 2645 milhões de

euros.

As últimas contas aprovadas por Rui Vilar mostram ainda um

aumento de 20% no valor dos ativos de energia, que no ano passado

atingiram 1117 milhões de euros. A subida do preço do petróleo

terá sido o fator determinante.

Gulbenkian é uma das principais fundações a nível mundial e uma

das poucas instituições do género que vive apenas da valorização

da dotação inicial do seu fundador. A preços de 2010, o capital

recebido de Calouste Gulbenkian corresponde a 11,7 milhões de euros.

Mas de onde vem o dinheiro da Fundação?

A instituição tem duas principais fontes de receita: a atividade

de operação de petróleo e gás natural, desenvolvida pela Partex,

e o retorno dos investimentos realizados nos mercados internacionais.

Com a crise financeira de 2008 e a da dívida soberana, a partir de

2010, os negócios da energia têm vindo a ganhar peso no património

da fundação, não só pelo desenvolvimento de novos projetos, mas

sobretudo pela valorização do preço do petróleo.

A Partex está

no golfo pérsico (Oman e Abu Dhabi), na Argélia e Cazaquistão, mas

nos últimos anos tem vindo a diversificar operações para países

de língua portuguesa, como o Brasil e Angola. Em Portugal, integra o

consórcio da Galp e da Petrobras, que está a pesquisar petróleo na

costa.

Não há dados de 2011 sobre o retorno dos investimentos

financeiros da Fundação, mas pelos números globais divulgados

adivinha-se que a evolução não terá sido positiva. Em 2010, a

carteira de investimentos da Fundação estava avaliada em 1772

milhões de euros e o seu rendimento tinha sido afetado "por uma

exposição significativa" à dívida soberana europeia, lê-se

no último relatório e contas divulgado. Em 2010, a Fundação tinha

investido 468 milhões de euros em dívida pública, mercado que foi

um dos mais penalizados pela instabilidade em 2011.

"Todos temos de estar preparados para suportar dias

difíceis". A prioridade da Fundação na gestão de Artur

Santos Silva será "assegurar a as condições da sua

perpetuidade. A dimensão, a solidez e a rentabilidade do seu

património terão sempre de constituir a primeira prioridade, tal

como a sustentabilidade da sua estrutura de custos fixos, essencial

para nos permitir manter a indispensável agilidade nestes tempos tão

perturbados e incertos."

O aviso do novo presidente teve também como destinatários os

cerca de 500 colaboradores da Fundação. Desde os anos 90, a

Fundação Gulbenkian reduziu em mais de 50% o número de

trabalhadores. De 1200 para cerca de 500. Sem essa reestruturação,

iniciada por Ferrer Correia e continuada por Rui Vilar, a "Fundação

Calouste Gulbenkian enfrentaria hoje sérias dificuldades quanto à

sua sustentabilidade e capacidade de atuação", sublinhou o

novo presidente.

Não obstante, os custos com pessoal ainda são a rubrica mais

significativa na folha de encargos da instituição, no valor de 48

milhões de euros. Em 2010, representaram mais de 40% dos custos

totais da Fundação de 111 milhões. Esta componente inclui os

custos com os trabalhadores ativos e encargos de 17,3 milhões com os

cerca de mil pensionistas.

Santos Silva anunciou ontem que vendeu a totalidade das ações da

Jerónimo Martins (leia mais aqui)

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