A Resipinus, associação dos destiladores e exploradores de resina, contestou hoje a forma como estão a decorrer as hastas públicas, limitando o trabalho à resinagem à morte e ignorando assim as dificuldades do setor.
Hilário Costa, presidente da Resipinus, disse à agência Lusa que as hastas públicas que estão a decorrer ignoram o facto de se ter perdido "um milhão de bicas em consequência dos incêndios de outubro", apesar de a associação ter pedido ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) uma "maior disponibilidade para o setor".
Numa nota enviada à Lusa, a Resipinus salienta que "a resinagem à vida tem sido completamente ignorada nas hastas públicas do centro do país, onde, salvo raras exceções, só é permitida a resinagem à morte".
Segundo a associação, "esta modalidade de resinagem, além de ser inadequada à estabilidade da atividade, não encontra neste momento justificação face ao excesso de disponibilidade de madeira de pinho no mercado nacional, não sendo expectável a realização de abates de árvores sãs nos próximos anos".
"A conceção das hastas públicas para exploração de resina é idêntica às dos anos anteriores, o que demonstra a indiferença do ICNF perante o setor da resinagem", acusa ainda a Resipinus.
A Resipinus refere ainda que "a maioria dos lotes colocados em hasta para a exploração de resina" não se encontram "em condições para uma normal e rentável laboração".
De acordo com a explicação da associação, tal sucede "devido à falta de controlo da vegetação arbustiva (matos), o que acarreta dificuldades à circulação de pessoas e equipamentos, complicando significativamente os trabalhos de resinagem, aumentando os custos e incrementando a possibilidade de ocorrência de acidentes de trabalho".
A Resipinus "não pode deixar de protestar veemente contra a rigidez das políticas do ICNF", nomeadamente face à modalidade que os exploradores de resina defendem, "a resinagem à vida", e ao facto de "continuar a não disponibilizar todas as áreas com potencial para a atividade sob a sua gestão".
Para a associação, a postura de "intransigência do ICNF" tem constituído um "entrave para o desenvolvimento da resinagem em Portugal" e "contribuído para a instabilidade do emprego no setor, pondo em causa dezenas de postos de trabalho".