À partida está tudo igual: o mesmo local, a mesma equipa, a mesma operação. Só que, desde 5 de janeiro, que a Novabase IMS se chama Axians Portugal. A unidade de infraestruturas e serviços da tecnológica portuguesa foi comprada pelo grupo francês Vinci, dono da ANA Aeroportos. O negócio rendeu à Novabase cerca de 44 milhões de euros, mais seis milhões do que o que estava inicialmente previsto.
À frente da Axians Portugal ficou Pedro Afonso, que tinha já ocupado cargos de administração em diversas unidades da Novabase. O executivo contou ao Dinheiro Vivo como a venda se processou. "O negócio foi decidido num almoço. Depois passámos um ano a tratar dos detalhes da operação." Mas comecemos pelo princípio. O primeiro contacto entre a Novabase e a Vinci Energies aconteceu em junho de 2015, em Moçambique, durante um projeto internacional que as duas empresas desenvolveram em conjunto. "Na fase final do projeto, o responsável da Vinci quis falar comigo sobre o trabalho dos nossos comerciais e pedir um desconto final. Ele hoje diz que foi o desconto mais caro de sempre, porque essa conversa desenrolou-se mais tarde para a aquisição da Novabase IMS", recorda Pedro Afonso.
A Vinci Energies é a unidade do grupo Vinci que se foca em dois ramos: o da transição energética – "nos próximos anos o consumo de energia no mundo, sobretudo não ocidental, vai explodir", justifica o diretor da Axians Portugal – e o da tecnologia - "também sabemos que as interações digitais estão a crescer cada vez mais". - Para a transformação digital, a Vinci utiliza a marca Axians, com uma rede de nove mil profissionais, cerca de 1800 milhões de euros de faturação anual e mais de 18 operações em toda a Europa.
Pedro Afonso identifica quatro fatores chave que tornaram a Novabase IMS atrativa para o grupo francês. Dois deles foram determinantes: o facto de a unidade portuguesa ser a detentora das contas das instituições europeias e o enfoque que é colocado nas pessoas e não no produto, em cada prestação de serviços. "Para além da complementaridade geográfica e da sofisticação da oferta da unidade portuguesa, os franceses encontraram em nós uma abordagem à transformação digital que começa nas pessoas, o que era muito diferenciador. Nesta área, somos formatados para desenvolver software e muitas vezes esquecemo-nos do significado que isso tem para os nossos clientes".
Para além destes dois fatores, contou também a presença em África, que a Vinci vai potenciar criando duas subsidiárias da Axians Portugal, uma em Angola e outra em Moçambique; e também os serviços de migração para nuvem que, assegura o executivo "não ficam a dever nada ao que se faz no resto da Europa". Ainda assim, sublinha Pedro Afonso, existe um motivo forte que foi decisivo ao longo de todo o negócio e que agrega todos os outros. "A equipa. Foi fundamental e determinante. Em cada dez conversas que tínhamos, em sete falávamos da equipa".
Para o futuro, a Axians Portugal tem o caminho bem definido. A nova unidade quer continuar a trilhar a rota já iniciada, quando ainda era Novabase IMS. "Este ativo já era líder em Portugal. Agora queremos aprofundar e desenvolver essa liderança. Por outro lado, queremos internacionalizar a unidade portuguesa no mundo, de uma forma autónoma, que o grupo permite. No fundo, apesar desta aquisição, a empresa vai manter grande parte da sua cultura. Há uma continuidade no projeto, nos valores, na disrupção positiva e nas oportunidades", conclui o diretor-geral.