A Federação Nacional do Setor Financeiro (Febase) admite avançar com greve nacional uma vez que a negociação para a atualização salarial dos bancários "está bloqueada", e os trabalhadores "estão a ser empurrados para um beco sem saída".
A federação que agrega os sindicatos dos bancários ligados à UGT explicou em comunicado que se assiste a "um impasse" na negociação coletiva com o GNIC (grupo negociador dos bancos) pelo que "não resta senão" avançar com ações de luta, nomeadamente "manifestações em frente aos bancos e uma greve nacional".
A Febase lamenta o "clima de intransigência" que está a caracterizar as negociações e adverte para o "silêncio ensurdecedor" por parte dos administradores bancários que "em nada dignifica" o setor e que constitui "uma forte ameaça à paz social que até agora tem imperado".
E alerta que a "ausência de uma proposta" que permita desbloquear as negociações, facto que "empurra a classe dos bancários para um beco sem saída".
A Febase entende que as instituições de crédito "estão apostadas em protelar" as negociações, "pensando que vencem os bancários pelo cansaço".
A federação promete "não baixar os braços" e alerta para o facto de, no caso de a situação "não ser desbloqueada" na reunião de 17 de julho, que os sindicatos vão avançar "com manifestações junto aos bancos e fazer uma greve nacional".
Em 08 de junho, os bancos voltaram a subir a sua proposta de aumentos salariais para 0,7%, valor que os sindicatos ligados à UGT consideram miserabilista e que os levou a apresentar uma contraproposta mais baixa, de 2,1%, para manter negociações.
A Febase, num comunicado então disponibilizado na sua página oficial do Sindicato dos Bancários do Norte, explicava que o grupo negociador das instituições de crédito tinha apresentado uma nova proposta de revisão salarial, acrescentando 0,1% ao valor anterior.
Referia ainda que há cerca de 15 dias, sessão anterior de negociações, "ambas as partes alteraram as suas propostas: os bancos subiram a sua proposta para 0,6% e o grupo negociador contrapropôs 2,25% (a sua proposta inicial era de 3%)".
A Febase realçou que "salvo alguma exceção, todos os bancos regressaram aos lucros e a massa salarial não aumentou", considerando que o reforço para os fundos de pensões "não é argumento", já que estes fundos "também geram mais-valias".
"Face a aquele pretenso avanço, o Grupo Negociador da Febase adiantou o valor de 2,1%, no intuito de manter as negociações em aberto", afirmaram os representantes, considerando que "um possível entendimento ainda estava longe".
As duas partes voltaram a marcar uma nova reunião para 22 de junho passado.
Os aumentos que estão a ser negociados entre sindicatos bancários e grupo negociador dos bancos serão válidos para a tabela salarial, pensões de reforma e sobrevivência e cláusulas de expressão pecuniária.