Três meses bastaram para que o segundo maior fundo soberano do mundo reduzisse para metade a sua exposição a Portugal. No final do terceiro trimestre, o Fundo Soberano da Noruega, gerido pelo Norges Bank, tinha uma exposição de 203 milhões de euros à dívida pública nacional, menos 50% que os 407 milhões que detinha no final do segundo trimestre.
O montante, apurado pelo Dinheiro Vivo junto de fonte oficial do Fundo, representa ainda uma quebra de 35% face aos 311 milhões de euros detidos em dívida portuguesa no final de 2010.
Questionado pelo Dinheiro Vivo, fonte do Fundo Soberano da Noruega afirmou que "apenas está a revelar a exposição a dívida pública portuguesa este ano devido à especial atenção que a dívida europeia tem tido".
Questionada se o fundo vai continuar a investir em dívida e acções nacionais, a mesma fonte revelou que "não costuma comentar os seus planos de investimento. No entanto, as suas instruções são para que a fatia de leão dos seus investimentos em termos de acções e obrigações sejam e continuem a ser feitas na Europa".
Além da dívida portuguesa, o braço financeiro norueguês tinha
investidos 920 milhões de euros em acções nacionais no final de 2010,
mais 50% que os 615 investidores em 2009.
A última aposta foi a Portugal Telecom, depois de na quarta-feira o fundo ter reforçado a sua presença no capital da operadora ao passar a deter uma participação superior a 5% dos direitos de voto correspondentes ao capital social da PT. Contas feitas, após essa transacção, o Norges Bank passou a controlar um
total de 46.504.123 acções ordinárias da PT, representativas de 5,19% do capital
A PT é apenas um de muitas cotadas portuguesas onde o Norges Bank
está presente. De acordo com os dados mais recentes, relativos ao final
do ano passado, o banco detinha, através do fundo soberano do país,
participações em 25 empresas cotadas portuguesas.Antes desta
operação, o reforço mais recente em cotadas nacionais aconteceu no
passado dia 6 de Outubro, quando o Banco Central comprou acções do BCP e
passou a deter, igualmente, mais de 2,13% do capital do banco.Desde
os bancos (BCP, BES, BPI e Banif) às energéticas (EDP, EDP Renováveis,
REN e Galp Energia), passando pelas telecoms (PT, ZON e Sonaecom) e
pelas construtoras (Teixeira Duarte, Martifer e Mota-Engil) o fundo
soberano da Noruega tinha, no final de 2010, uma forte presença no
capital das cotadas portuguesas.Questionado sobre o porquê de o fundo continuar a investir em empresas nacionais, a mesma fonte do fundo revelou que "as instruções do fundo são para que 60% dos seus activos sejam acções. Destes investimentos em acções 50% terão de ser feitos na Europa". "No terceiro trimestre, o fundo desembolsou 78% do seu capital para comprar acções, e muitos destes títulos foram de cotadas europeias", acrescentou.
Criado em 1990, o Fundo
Soberano da Noruega é o segundo maior do mundo, apenas atrás do fundo de Abu Dhabi, e gere mais de 382 mil milhões de euros em activos.