CEO da Ryanair quer casar a Portela com o Montijo

O aeroporto da Portela já não chega para Michael O"Leary, CEO da Ryanair. O número um da companhia irlandesa low cost, sempre polémico e controverso, veio a Lisboa para falar de crescimento e trouxe a lição estudada: o governo, os portugueses e as companhias aéreas teriam a ganhar se o modelo Portela+1 - uma extensão do Aeroporto de Lisboa - avançasse. E o local "só pode ser um": o Montijo.
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"Eu gosto de comparar Lisboa com Dublin, que tem um milhão de pessoas e 24 milhões de passageiros. Lisboa tem 1,5 milhões de pessoas e 16 milhões de passageiros", explicou Michael O"Leary, o responsável pela Ryanair, em entrevista ao Dinheiro Vivo. Quer dizer que "Lisboa deveria ter 30 milhões de passageiros", que agora não consegue canalizar. "Vocês têm o sol e têm o vinho. No fundo têm tudo o que Dublin não tem e merecem ter muito mais ligações à Europa."

E como se podia fazer esse crescimento? "Seria muito importante, não só para Lisboa e para o turismo de Lisboa como para Portugal, que a base militar do Montijo fosse aberta a civis", disse. Habituado a gerir custos e benefícios de uma companhia em forte expansão, ainda lembra outra vantagem: "Permitiria também que os militares conseguissem suportar melhor o custo da base."

O irlandês repara que abrir a base no Sul do Tejo a voos comerciais "poderia aumentar para 30 milhões ou 40 milhões ao ano o número de passageiros de Lisboa".

Já não é a primeira vez que se fala no Montijo para a opção Portela+1 e, em 2012, a gestora aeroportuária ANA chegou a fazer um estudo que apontava para um custo de 2662 milhões de euros para manter a Portela e o Montijo em operação conjunta. O grosso, claro, seria utilizado para melhorar as infraestruturas em Lisboa, onde seria necessário um investimento de cerca de dois mil milhões de euros. Quanto ao Montijo, o gasto seria marginal, precisamente como O"Leary estima.

"Em vez de se fechar Lisboa e se gastar milhares de milhões de euros na construção de outro aeroporto, poderia ter-se a sensibilidade de abrir o Montijo e adaptar infraestruturas para o transporte de civis sem gastar quase dinheiro nenhum", diz, acrescentando que tem estabelecido contactos com o governo português para tentar vender esta ideia - que, para já, a nova administração da ANA também rejeita, até porque a capacidade de Lisboa ainda não está esgotada. "Não há mais nenhuma base que possa dar esta ajuda a Lisboa", insiste O"Leary, lembrando que "existe outra base entre Lisboa e Faro, mas que não serve esse propósito, já que Faro tem muita capacidade, tal como acontece com o Porto". Ou seja, "vocês têm tanto o Sul do país como o Norte bem servidos, enquanto Lisboa precisa, realmente, de um maior crescimento".

Enquanto não consegue vender a ideia, a Ryanair vai investindo em Portugal. E o CEO até já pensa no momento em que poderá dizer que é "a número 1 do país", depois de superar a TAP em Lisboa. A tarefa não é fácil, mas para este problema O"Leary tem solução. "Precisamos de fazer crescer o nosso tráfego para cinco milhões de passageiros por ano - atualmente está em 1,5 milhões em Lisboa - e aumentar a capacidade. Também teríamos de aumentar o número de aviões e de rotas." Uma coisa é certa, as tarifas vão manter-se baixas, porque "há sempre margem, e quanto mais baixas forem, mais gente vem até nós".

Portugal também vai manter-se nos planos de crescimento da Ryanair, até porque este irlandês escolhe o parceiro da Irlanda na ajuda financeira para as suas férias "há já dez anos". O que justifica o interesse? A comparação regressa: "É um ótimo país, um destino maravilhoso e tem tanto o lado do turismo como o dos negócios. No fundo, Portugal é como a Irlanda, só que com um melhor clima", resume.

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