

Crédito à habitação aumentou 42% em termos homólogos. No primeiro semestre do ano, banca estatal concedeu 2,5 mil milhões de euros a jovens com garantia do Estado. E entregou ao Estado 1,33 mil milhões de euros em dividendos e IRC.
Na conferência de imprensa de apresentação de resultados do primeiro semestre, em Lisboa, o presidente da CGD, Paulo Macedo, disse que o volume de negócios da instituição financeira registou um aumento de 11.500 milhões em relação ao período homólogo e salientou o facto de o banco ter vivido o melhor semestre de sempre.
Os lucros cresceram 2,2% para 913 milhões de euros, com os recursos de clientes e o crédito a crescer 3,3% e 7%, respetivamente.
Na informação apresentada esta quinta-feira, 30 de julho, e divulgada junto da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), salienta-se ainda a margem financeira consolidada, que se refere à diferença entre os juros cobrados nos créditos e a remuneração dos depósitos, que nos primeiros meses do ano se fixou nos 1.241 milhões de euros.
As comissões em relação ao volume de negócios estabilizaram, “refletindo isenções e manutenção do preçário pelo quarto ano consecutivo e o valor mais baixo dos principais concorrentes”, referiu Paulo Macedo e também António Valente, CFO da instituição que fez a apresentação mais alargada dos principais indicadores.
A carteira de crédito dos clientes, em Portugal, totalizou 55 mil milhões de euros, crescendo 3.600 milhões de euros, o que representa a já referida subida de 7% em termos homólogos. Já o crédito à habitação ascendeu a cerca de 3,700 mil milhões de euros, refletindo um aumento de 42% face a igual período do ano anterior. Em junho, indicou o banco, a concessão de crédito para a compra de casa chegou aos 740 milhões de euros, o que o CEO da CGG, Paulo Macedo, adjetivou de "marco histórico".
"Faltam-nos adjetivos para qualificar a performance da CGD trimestre após trimestre", diria António Valente assim que tomou a palavra. O responsável financeiro mostrou-se, esta tarde, visivelmente satisfeito com os resultados apresentados, e por mais do que uma vez referiu que as contas da CGD mostram que nem tudo o que "se acha sobre a economia" é verdade.
"Estamos numa situação incomparavelmente melhor do que no tempo da troika", salientou o CFO, referindo-se às dúvidas que tem havido no mercado sobre a capacidade das famílias portuguesas para cumprirem as suas obrigações, nomeadamente o pagamento dos empréstimos aos bancos. "Este nível de emprego [a taxa de desemprego está em 5,6%] permite estabilidade no crédito, aumentar despesa e consumo, permite mais capacidade de poupança das famílias...são tudo indicadores e drivers da situação do país e das famílias, que é claramente melhor" do que há uns anos, garante.
Durante a mesma apresentação de resultados, a última realizada na sede da CGD junto ao Campo Pequeno, Paulo Macedo disse ainda que o banco bateu “em termos históricos o seu numero de transações”, sendo que apenas 1% são realizadas aos balcões, num momento em que o número de agências é menor. Deste processo de transformação que a CGD tem vindo a viver, esclareceria depois António Valente, faz parte a mudança do banco estatal para um novo edifício-sede, no Parque das Nações, onde "as instalações são mais colaborativas e viradas para o futuro".
Os responsáveis salientaram ainda que a CGD entregou ao Estado, este ano, 1,3 mil milhões de euros entre dividendos e IRC, e que prevê que, no final do ano, esse valor ascenda a 1,6 mil milhões de euros.
No ano passado e em 2024, a CGD entregou ao Estado português 1,7 mil milhões e 1,6 mil milhões, respetivamente.