Novas medidas de apoio às empresas. A Confederação do Turismo de Portugal (CTP) não tem dúvidas: o novo confinamento - que entrará em vigor a partir desta sexta-feira, 15 de janeiro - vai ter efeitos "dramáticos para a economia e para o turismo" pelo que pede ao governo mais medidas de apoio às empresas.
"Não nos cabe a nós comentarmos as medidas de Saúde Pública anunciadas pelo Governo, estas têm em conta a opinião dos especialistas e a situação atual da pandemia e as previsões para as próximas semanas. No entanto, é evidente que este novo confinamento, que implica a proibição de circulação e o encerramento de muitas atividades, irá ser dramático para a economia e para o turismo", diz Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal, em comunicado.
O turismo foi um dos motores da economia portuguesa até à chegada da pandemia. Francisco Calheiros, em entrevista ao Dinheiro Vivo/TSF no último sábado, defendeu que "o grande investimento - seja da bazuca europeia, seja de qualquer outra - deve ser no turismo porque é o que tem o retorno mais rápido e imediato" e que esta atividade vai "voltar a ser o grande motor da economia".
O líder da confederação, no comunicado desta quinta-feira, 14 de janeiro, sublinha - tal como na entrevista - que a pandemia "mantém-se há 10 meses e as empresas têm lutado por sobreviverem, com um esforço de tesouraria muito elevado. As reservas financeiras das empresas estão no limite e para se manterem a funcionar e a cumprir com os seus compromissos têm de ter acesso a novos apoios".
O turismo tem sido um dos setores mais afetados pela pandemia de covid-19. Há segmentos - como as discotecas - que estão encerrados desde março passado, e há outros - como a restauração - que abriram portas com o desconfinamento mas sempre sujeitos a restrições, que foram mudando ao longo dos meses de forma a tentar responder à evolução da pandemia.
Os hotéis não encerraram por ordem do governo, mas muitos pela falta de procura. No entanto, vários serviços disponibilizados tiveram de encerrar - como cabeleireiros e spa - no primeiro confinamento de março e abril. O mesmo acontece agora.
Em entrevista ao Dinheiro Vivo em dezembro, Raul Martins, presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), admitia que estimavam que neste arranque de 2021 cerca de 75% das unidades estariam encerradas. E, questionado sobre as perspetivas para este ano, o responsável da AHP indicava que 2021 será "melhor que 2020 mas muito pior que 2019. Em 2022 ainda não chegaremos aos níveis de 2019. O que quero dizer com isto é que 2021 vai ser ainda um ano de resultados negativos para a hotelaria em geral. Mas 2022 será positivo".
"Todos já estamos a ver que o ano de 2021 só vai começar, digamos, em meados do ano e não vai ser suficiente para recuperarmos. Mas 2022 vai com certeza", dizia o líder da associação de hotelaria em dezembro.
Esta quarta-feira, durante a conferência de imprensa de apresentação das novas medidas, o primeiro-ministro indicou que os apoios para os setores de atividade que ficarão encerrados na próxima fase de confinamento, são apresentados hoje.
Quanto ao efeito da pandemia e das medidas nas contas públicas, António Costa, admitiu que "será seguramente bastante relevante", depois de o governo ter já dado conta do regresso ao lay-off simplificado para todo o comércio obrigado a fechar (agora, com salários a 100% para os trabalhadores) e também da intenção de serem majorados os subsídios a fundo perdido do programa Apoiar.