Só 1,1% da população mundial é alemã. No entanto, é na Alemanha que se encontram 48% das pequenas e médias empresas líderes mundiais nos seus seus setores de atividade. Estes “campeões ocultos”, como lhe chama Hermann Simon, fundador e presidente da Simon-Kucher & Partners, cumprem três critérios: posicionam-se no top 3 mundial e são líderes de mercado no seu continente; geram receitas até cinco mil milhões de euros; e são pouco conhecidas do público em geral.
No mundo inteiro, de acordo com a análise de Hermann Simon, existem 2734 “campeões ocultos”, estando quase metade - 1307 - na Alemanha, onde criaram 1,5 milhões de novos empregos.
A consultora deste especialista alemão acaba de entrar no mercado português para ajudar a criar “campeões ocultos” nacionais. E fá-lo através de uma parceria com a Toplever - consultora portuguesa especializada em estratégia e apoio ao investimento.
Simon diz que “decidiu entrar em Portugal num momento em que o país mostra estar numa nova fase de crescimento”. A Toplever está “no mercado há mais de dez anos e conhece muito bem o mundo empresarial português e lusófono”.
O potencial de Portugal para criar esses campeões está refletido “nas exportações do país nos últimos 12 anos”, avançou o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, que marcou presença no anúncio oficial da parceria entre as duas empresas. “Foi durante esse tempo que o crescimento das exportações portuguesas superou o da Alemanha e o da Holanda” - uma indicação de que “as nossas empresas mostram muita competitividade”, sublinhou.
A parceria agora anunciada, como dá conta João Trigo da Roza, partner da Toplever, permite à consultora portuguesa oferecer um leque mais variado de serviços “às empresas que se queiram tornar champions globais no seu setor” e facilitar a ligação a fundos de investimento internacionais que pretendam investir em Portugal.
Em declarações ao Dinheiro Vivo, Hermann Simon reconhece o potencial português. Apesar de Portugal ter um número de “campeões ocultos” per capita cerca de 15 vezes mais baixo do que o da Alemanha, o consultor admite que “existem empresas portuguesas que têm demonstrado uma grande ambição a nível global, focando-se em produtos de excelência”. Tudo indica, assegura, “que o número de campeões ocultos só pode crescer”.
Hermann Simon adianta ainda que “a economia portuguesa é muito diversificada e isso é positivo. Houve países, como a Finlândia, que se concentraram praticamente num único setor (telemóveis) e ainda hoje se ressentem dessa aposta”.
Em Portugal, “a indústria está preparada”, diz o ministro da Economia. “As nossas empresas especializaram-se na produção em pequena série, com produtos diversificados e de qualidade, com uma produção organizada e preços competitivos”. Manuel Caldeira Cabral sublinha o crescimento do PIB de 2,8% no primeiro trimestre deste ano. “De certa forma, somos um campeão oculto. O crescimento na procura interna e o impulso criado pelo aumento das exportações reforçou a confiança”, afirmou o ministro da Economia.
A Simon Kucher esta presente em mais de 30 países e considera que o mercado dos países lusófonos é cada vez mais interessante.