A conjuntura económica continua marcada pela subida das taxas de juro e a inflação elevada. Na semana passada o Banco Central Europeu (BCE) voltou a subir a taxa diretora em 0,25 pontos percentuais para 3,75% e as taxas Euribor, às quais estão indexados grande parte dos créditos à habitação em Portugal, continuam a subir. A prioridade do BCE, como deixou bem expresso a presidente, Christine Lagarde, é colocar a inflação na meta dos 2%, doa a quem doer, nomeadamente às famílias com empréstimos para casa a taxa variável. Qual o impacto que o agravamento das prestações do crédito à habitação poderá ter no malparado?
Em abril a taxa de inflação em Portugal caiu para os 5,7%, de acordo com a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística. A queda explica-se em grande parte pela descida dos preços da energia. Na última previsão do governo, inscrita no Programa de Estabilidade apresentado no mês passado, a taxa de inflação para este ano foi revista em alta de 4 para 5,1%. Trata-se, no entanto, de uma descida face à taxa média anual de 7,8% verificada no ano passado.
Neste Barómetro Alumni The Lisbon MBA, 137 antigos alunos do MBA das universidades Católica e Nova responderam a cinco perguntas sobre as perspetivas quanto à evolução dos juros, da inflação e da atividade económica.
Sobre a subida dos preços, mais de 70% dos inquiridos prevê que a taxa de inflação vai continuar a cair nos próximos meses, 18,25% diz que não e quase 12% têm dúvidas sobre a evolução dos preços nos próximos meses.
Já quanto às taxas de juro, quase metade acredita que as subidas não se vão limitar a este ano, prologando-se por 2024, ao contrário de 35,7% dos inquiridos, que não perspetiva a continuação das subidas em 2024. Quase 20% responde que "talvez" isso aconteça.
Quase 60% dos inquiridos (58,39%) considera que na sequência da subida das taxas de juro o incumprimento no crédito à habitação vai disparar, 19,7% não acredita que isso vá acontecer e quase 22% acha que é possível, mas sem certezas.
Em relação à possibilidade de a zona euro entrar em recessão este ano, os antigos alunos do The Lisbon MBA estão divididos. Mas mais de um terço (38%) diz que sim, que as economias da moeda única entram em recessão em 2023, outro terço (34,3%) admite essa possibilidade e 27,7% afirmam que não, que o bloco do euro escapa à recessão económica em 2023.
Olhando para os próximos três meses, as perspetiva de 34,6% dos alumni do The Lisbon MBA é de uma ligeira contração económica, 31,5% apontam para uma estabilização e 30,7% anteveem para uma ligeira melhoria. Apenas uma minoria (3%) prevê uma contração significativa da economia europeia.
Em relação especificamente à economia nacional, 43% estão pessimistas e apesar das previsões económicas do governo, Banco de Portugal e mais recentemente do Fundo Monetário Internacional - que reviu em alta o crescimento do PIB este ano de 1% para 2,6% - anteveem uma "ligeira contração", 28,5% uma estabilização e 23% uma ligeira melhoria.
A maioria (53%) dos ex-alunos do MBA da Católica e Nova apontam também para uma ligeira retração no emprego nos próximos meses, enquanto 33,8% estimam uma estabilização deste indicador.
Questionados sobre a evolução do investimento em Portugal nos próximos três meses, as opiniões dividem-se entre os 43% que preveem uma descida e os 41,5% que falam numa estabilização. Já 15,3% consideram que vai aumentar.
Mais de metade dos inquiridos (55,4%) considera ainda que o acesso ao financiamento nos próximos meses vai piorar ligeiramente, 23,8% apontam para uma estabilização e 5,4% veem antes uma melhoria ligeira. Já para 14,6% dos que responderam ao inquérito, as condições de financiamento vão agravar-se.