A coordenador do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, assumiu a derrota nas eleições legislativas, afirmando que a estratégia de criar uma "crise artificial" do Partido Socialista (PS) resultou numa eventual maioria socialista. Sem eufemismos, a bloquista rejeita responsabilidades no crescimento eleitoral do Chega e promete que o partido vai combater "cada deputado racista" no parlamento.
"O resultado do BE é uma derrota, e neste partido encaramos as dificuldades como são". Foram as primeiras palavras da líder dos bloquistas, em reação ao resultado das eleições legislativas deste domingo. Contudo, Catarina Martins deixou claro que o resultado eleitoral não dita o fim da sua liderança - "nunca foi por resultados eleitorais que o BE decidiu a sua direção", disse.
A par da derrota eleitora, Catarina Martins destacou outras duas ilações. "Três coisas parecem óbvias: o BE teve um mau resultado, o PS deverá ter maioria absoluta e haverá deputados racistas a mais", afirmou.
Para a coordenadora do BE, os resultados destas legislativas são fruto do sucesso da estratégia de "crise artificial" lançada pelo PS. "O voto útil penalizou os partidos da esquerda", anotou. "Estratégia de maioria absoluta do PS, ao que tudo indica, foi bem-sucedida. Bipolarização falsa criou enorme pressão de voto útil que penalizou os partidos à esquerda", acrescentou.
Não obstante, garante que os bloquistas saberão "viver" com isso e que vão "responder aos mandatos" conquistados.
Feita a análise ao comportamento do BE, Catarina Martins fez que estão de notar que o resultado do partido de extrema-direita Chega também é mau para o país. Convicta, a bloquista afirmou: "Cada deputado racista no Parlamento é um deputado racista a mais".
"Sabemos das nossas lutas e razões. Não ficam mais fáceis com o resultado. Mas também sabemos que não faltaremos a essas lutas em todo o país", disse, evidenciando que os bloquistas se debaterão com os deputados do Chega.
A líder do BE rejeitou, ainda, ser responsável pelo crescimento do Chega, após o chumbo do Orçamento do Estado para 2022, o que levou à convocação destas eleições. Catarina Martins garante que o chumbo não foi "taticismo" do BE, mas sim vontade do PS. "Sabíamos que corríamos riscos eleitorais", mas "os partidos não podem mudar de convicção como quem muda de camisa por resultados eleitorais".