Exportações de vinho recuperam, mas meta de mil milhões está mais longe

Vendas ao exterior crescem 4,9% em maio e atiram o acumulado do ano para valores positivos, mas longe dos 6,5% necessários para atingir objetivo para 2023.
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As exportações nacionais de vinho cresceram 4,9% em maio, para 80,8 milhões de euros, permitindo anular as perdas do setor no arranque de 2023. No acumulado do ano, as exportações estão em linha com o período homólogo, embora a cair a volume. Portugal destinou ao exterior, entre janeiro e maio, 128 milhões de litros (-1,72%) no valor de 361,6 milhões de euros (+0,01%). Meta dos mil milhões de euros estabelecida para 2023 é já muito difícil de alcançar, já que o setor teria de crescer 6,5% no acumulado do ano.

"Dada a instabilidade económica dos últimos dois anos, esse objetivo está altamente comprometido", reconhece o presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão, que promete para breve uma nova meta no âmbito do Plano Estratégico 2024-2030, em preparação.
Sem vinho do Porto, que representa quase um terço do valor exportado e está a cair 5,9% face ao período homólogo, as exportações de vinhos tranquilos estão a crescer 2,68%, para 255,6 milhões de euros. O volume recua 0,57%, para 108 milhões de litros, mas o preço médio cresceu 3,28% para 2,37 euros o litro. Com vinho do Porto, o preço médio é de 2,82 euros por litro, um aumento de 1,76% comparativamente ao ano passado.

Em termos de mercados, destaque para o crescimento a dois dígitos do Brasil, que recupera das perdas em 2022, e para os 9% de acréscimo nas exportações para Angola, embora seja previsível que esta situação se inverta nos próximos meses dado que a desvalorização do kwanza se torna altamente desfavorável para importações. A moeda angolana depreciou-se 60% desde o oinício do ano, o que leva a ViniPortugal a "olhar com alguma preocupação" para este mercado.

Em sentido contrário, destaque para os mercados russo e ucraniano. De facto, nos primeiros cinco meses do ano as exportações de vinho nacionais para a Rússia mais do que triplicarm, em relação ao período homólogo, passando de 1,5 para quase 4,7 milhões de euros.

No caso da Ucrânia, o crescimento é mais modesto, mas significativo na mesma, com as exportações a mais do que duplicarem, passando de 679 mil euros entre janeiro e maio de 2022 para 1,6 milhões de euros este ano. Há que não esquecer que, em março do ano, não houve qualquer exportação de vinhos para estes países, na sequência da invasão da Ucrânia, a 24 de fevereiro, pela Rússia, situação que foi sendo retomada, paulatinamente, nos meses seguintes.

Números "muito interessantes" diz Frederico Falcão e que "mostram que as empresas que mantiveram o canal aberto para estes mercados fizeram bem porque a crescer significativamente".

Sobre a performance global dos vinhos nacionais além fronteiras nestes primeiros cinco meses, a ViniPortugal mostra satisfação com a inversão do ciclo de quebra que se vinha verificando até abril e confiança nos próximos meses. "Temos a expectativa de que possa haver, no segundo semestre, uma recuperação das economias mundais, o que se refletirá nas encomendas d e vinho", diz Frederico Falcão.

Em termos de regiões, os vinhos do Tejo registam o maior aumento percentual (+ 21,2%), seguidos do Vinho Verde (+8,7%), do Dão (+5%) e de Lisboa (+3,5%). Todas as restantes caem.